quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Estado terá R$ 6,5 bi para portos, e Vila Velha receberá mais cargas
28/01/2010 - 00h00 (Outros - A
Gazeta)
Rita Bridi
rbridi@redegazeta.com.br
O Terminal de
Vila Velha (TVV), principal porto do Estado na movimentação de contêineres, vai
integrar o Espírito Santo às principais cidades do Mercosul. Entram em operação
no porto os serviços do Atlântico Sul, por meio dos modais marítimo, ferroviário
e rodoviário, com cinco novos navios.
A nova rota fortalece o potencial
portuário do Espírito Santo, que está localizado próximo aos principais centros
de consumo do país, e que terá sua vocação fortalecida com a ampliação e a
construção de novos terminais em diferentes pontos do litoral. Os novos
terminais portuários com implantação prevista para os próximos seis anos
demandarão volume de recursos superior a R$ 6,5
bilhões.
Principais portos
O TVV estará ligado aos
principais portos do Brasil, da Argentina e do Uruguai semanalmente. Os portos
atendidos são: Buenos Aires e Zárate, na Argentina, Montevidéu, no Uruguai, Rio
Grande (RS), São Francisco do Sul (SC), Santos (SP), Salvador (BA), Maceió (AL),
Suape (PE) e Fortaleza (CE), no Brasil. Os principais produtos movimentados no
TVV são eletroeletrônicos, peças automotivas, alimentos e cerâmica.
Além
da construção de novos terminais uma das obras mais reivindicadas pelos atuam na
área de comércio exterior e utilizam o modal marítimo é a dragagem do canal de
acesso e bacia de evolução do Porto de Vitória. A obra vai ampliar a
profundidade do canal e da bacia dos atuais 10,67m para 14 m, eliminando um dos
principais e mais antigos gargalos do complexo portuário da Capital.
O
aumento da profundidade vai permitir que os terminais portuários possam atuar
com maior eficiência e aumentem o volume de carga movimentada com menor custo.
Com a nova rota do TVV a espectativa é trazer para o modal marítimo parte das
cargas que hoje são transportadas por caminhões que trafegam em rodovias mal
conservadas que aumentam o custo do transporte.
Segundo o diretor da
Log-In no Mercosul, Fabio Siccherino, agora que o TVV está com a escala regular
será reforçado o trabalho da equipe de vendas para ampliar as cargas e várias
delas deverão vir do modal rodoviário. Existe, por exemplo, um grande volume de
cargas como cerâmica, alimentos e eletroeletrônicos que é enviado para o
Nordeste do país.
Com a rota, a Log-In quer também encorpar a navegação
de cabotagem, que ainda tem o mesmo custo da navegação de longo curso. Uma das
propostas que serão discutidas no Conselho de Autoridade Portuária (CAP), é a
redução dos custos com um diferencial de preços para a cabotagem, informa o
diretor do TVV, Anderson Carvalho.
“O Espírito Santo tem a oportunidade
de sair na frente na navegação de cabotagem, mas para isso é preciso a
elaboração de uma proposta, discutida com todos os setores envolvidos, para
reduzir os custos e tornar a atividade competitiva”,
argumenta.
Profundidade limita acesso aos terminais
A pouca profundidade do canal de acesso aos terminais do Porto de
Vitória continua sendo o principal limitador ao incremento na movimentação de
cargas e também responsável pelo aumento do custo nas operações portuárias. Os
navios que operam no TVV, por exemplo, não podem chegar e sair com carga total.
São 2 mil a 3 mil toneladas a menos, diz o diretor da Log-In no Mercosul, Fábio
Siccherino. Esse é o principal problema enfrentado pelos armadores e ser
solucionado a curto prazo, destaca.
Governo libera obras da
Petrobras
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o
Orçamento de 2010, publicado ontem pelo "Diário Oficial" da União, e liberou
obras da Petrobras consideradas irregulares pelo Tribunal de Contas da União
(TCU). O presidente vetou o dispositivo que mantinha as obras da Petrobras entre
as irregularidades.
Com a decisão do presidente as obras da Petrobras
como as das refinarias Abreu e Lima (PE) e Presidente Getúlio Vargas (PR), do
terminal de escoamento de Barra do Riacho (ES) e do Comperj (Complexo
Petroquímico do Rio de Janeiro) saem da lista das irregulares e o cronograma de
obras pode ser retomado.
No texto em que o presidente Lula justifica o
veto é destacado a paralisação delas, traria prejuízo imediato para
aproximadamente 25 mil empregos e custos mensais da ordem de R$ 268 milhões,
“além de outros decorrentes da desmobilização e da degradação de trabalhos já
realizados”. É ressaltado ainda que “tais fatos foram salientados, inclusive,
por governadores de Estados nos quais se encontram alguns dos empreendimentos
afetados”.
É explicado ainda, no texto da justificativa do veto, que
parte dos contratos incluídos no anexo já apresentam "90% de execução física e
sua interrupção gera atraso no início da operação das unidades em construção,
com perda de receita mensal estimada em R$ 577 milhões, e dificuldade no
atendimento dos compromissos de abastecimento do país com óleo diesel de baixo
teor de enxofre".
Lula explica que, em reunião realizada com membros do
Comitê de Avaliação das Informações sobre Obras e Serviços com Indícios de
Irregularidades Graves da Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e
Fiscalização do Congresso Nacional, com a participação de representantes do TCU,
do Ministério de Minas e Energia, da Casa Civil e da Petrobras, houve consenso
sobre a viabilidade da regularização das pendências
identificadas.
Irregularidades
A vistoria feita pelo
TCU nas obras do terminal da Petrobras, em Barra do Riacho apontou as seguintes
irregularidades:
1. Orçamento do Edital / Contrato / Aditivo incompleto
ou inadequado.
2. Cronograma de desembolso (físico-financeiro) incompatível
com a
execução física dos serviços.
3. Projeto básico deficiente ou
desatualizado.
4. Julgamento ou classificação das propostas em desacordo com
os critérios do edital ou da legislação.
Os investimentos em
portos no Estado
Superporto
Deve ser
construído em Praia Mole. Tem custo estimado em R$ 800 milhões e capacidade para
movimentar 300 mil contêineres por ano.
Vila Velha
Está prevista a construção de três terminais na Enseada do
Jaburuna, que custarão R$ 1,5 bilhão. Os terminais estarão voltados para atender
à demanda da área de petróleo e gás.
Vitória
No
porto de Vitória estão em fase de licitação as obras de dragagem do canal de
acesso e bacia de evolução, que aumentarão a profundidade para 14 metros, com
custo de R$ 117 milhões. A outra obra é a ampliação do cais comercial para
atender a cargas gerais. Custo de R$ 125 milhões.
Litoral Sul
Em Anchieta, a Petrobras vai construir um terminal para atender à
demanda de petróleo e gás. Em Presidente Kennedy, o grupo Ferrous planeja
investir R$ 2,7 bilhões na construção de um porto para escoar minério, cargas
gerais, e, futuramente, placas de aço.
Litoral Norte
Em Barra do Riacho, o terminal de embarque de celulose, Portocel,
investirá R$ 490 milhões na ampliação. Planeja também a construção de Portocel
II para a movimentação de carga geral. A Petrobras está concluindo o terminal
para a distribuição do gás liquefeito de petróleo (GLP) que é processado na
Unidade Tratamento de Cacimbas, em Linhares. No mesmo local o grupo Ambitec está
investindo R$ 500 milhões para construir um terminal multimodal.