sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
PIB estadual cresceu 2,5%, o que sinaliza retomada
05/02/2010 - 00h00 (Outros - A
Gazeta)
Abdo Filho
afilho@redegazeta.com.br
A economia
capixaba volta a dar sinais de recuperação. O Instituto Jones dos Santos Neves
divulgou ontem o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre
de 2009, quando o Espírito Santo, assim como já havia ocorrido no segundo
trimestre, cresceu 2,5%. Mesmo com dois trimestres de expansão, dificilmente o
Estado escapará de uma forte retração. Para que isso ocorra, a expansão do
quarto trimestre teria de ser superior a 5%, o que não deve acontecer.
No
percentual acumulado até o terceiro trimestre de 2009, a economia estadual
apresentou uma contração de 7,4%, ocorrida principalmente por conta dos efeitos
adversos da crise econômica mundial, que atingiram fortemente o Estado no
primeiro trimestre do ano passado. Por isso, apesar de já estarmos em uma curva
ascendente, o Produto Interno Bruto do Espírito Santo deve fechar 2009 com uma
queda entre 3% e 3,5%.
“Estamos em franca recuperação, mais intensa do
que a média nacional, que foi de 1,2% no segundo e terceiro trimestres. O
problema é que a crise econômica retirou 10,8% do nosso nível de produção. Já
recuperamos 5%, mas ainda falta um bom pedaço para chegarmos aos mesmos níveis
de meados de 2008”, explicou a presidente do Instituto Jones, Ana Paula
Vescovi.
A análise do PIB do Espírito Santo, em comparação com o índice
elaborado para o Brasil, permite verificar que o comportamento da economia
capixaba exibe variações de maior magnitude do que as do restante do país, tanto
para cima como para baixo. Segundo Matheus Albergaria, economista do Instituto
Jones, em períodos de expansão econômica, o Estado apresenta um crescimento
superior ao registrado para o Brasil.
“Entretanto, em períodos
recessivos como o que vivemos, o Espírito Santo tende a sofrer um processo de
retração mais pronunciado do que o registrado no Brasil. É uma característica da
nossa economia, tem seu lado bom, mas também tem o lado ruim. A sorte é que os
períodos de crescimento são maiores que os períodos de recessão”, argumentou o
economista.
Tão certo como a retração de 2009, é o embalo que o Espírito
Santo entrou em 2010. “O Estado está num ritmo de crescimento importante. Caso
continuemos nesse padrão de recuperação, crescendo 2,5% por trimestre, no final
de março voltaremos a ter o PIB que tínhamos antes da crise. É algo bastante
factível e que nos levará a um crescimento entre 6% e 7% em 2010”, detalhou Ana
Paula Vescovi.
Crescimento mundial será forte em 2010
A
presidente do Instituto Jones, Ana Paula Vescovi, afirmou ontem que o mundo e
principalmente o Brasil crescerão forte em 2010. Ela, entretanto, não demonstra
o mesmo otimismo em relação a 2011. “Nem todos os problemas que geraram a crise
foram equacionados. Mudanças na estrutura da economia mundial são necessárias”.
Para Ana Paula, o crescimento de 2010 já está “comprado”. “As baixas taxas de
juro implantadas no ano passado quase que garantem o crescimento deste ano. O
problema está em 2011, já que os juros, por conta da pressão inflacionária,
devem subir”.