Economia capixaba volta a navegar em mares tranquilos
26/02/2010 - 00h00 (Outros - A
Gazeta)
Abdo Filho
afilho@redegazeta.com.brDepois da
tempestade provocada pela crise econômica mundial, a economia do Espírito Santo
volta a navegar em mares mais tranquilos. De acordo com o panorama econômico do
Estado, apresentado ontem pelo Instituto Jones dos Santos Neves, o quarto
trimestre de 2009 foi o terceiro seguido de recuperação, só que com uma
diferença. Ao contrário do segundo e terceiro trimestres do ano passado, os
últimos três meses de 2009 têm como característica um crescimento mais natural e
não com um padrão de forte recuperação, como havia sido observado nos
anteriores.
“É uma característica de quando estamos deixando uma crise.
Os meses subsequentes têm um crescimento muito forte, mas sem sustentação. Com o
passar do tempo, a expansão torna-se menos forte, porém, mais robusta. É o que
acontece hoje com o Espírito Santo”, explicou a presidente do Instituto Jones,
Ana Paula Vescovi.
Para 2010, os analistas da instituição apostam em
forte crescimento, mas os políticos vão ter de ajudar. “As perspectivas são
realmente boas, mas temos um ano eleitoral pela frente, o que sempre interfere.
No caso do Espírito Santo, os candidatos ao governo precisam manter as
conquistas, principalmente éticas, dos últimos anos. Caso contrário, correremos
o risco de um retrocesso político e econômico. Investidor não gosta de
confusão”, alerta o Matheus Albergaria, coordenador de Estudos
Econômicos.
Segundo os analistas do Instituto Jones, o Espírito Santo
pode vir a apresentar um bom padrão de crescimento nos próximos trimestres por
conta da expansão da renda no Brasil e aumento e do aumento nos preços das
commodities (minério, celulose, aço). “Em dezembro, a indústria local cresceu
4,1%. Caso o Espírito Santo consiga manter esse ritmo, o que é possível,
poderemos ter um crescimento de 18,1% no acumulado. Não estamos dizendo que vai
acontecer, mas que pode acontecer”, sublinhou Albergaria.
O panorama
trouxe também alguns números interessantes em relação ao comércio internacional
do Espírito Santo. Em 2009, a China se consolidou como o maior destino das
exportações capixabas, 20% de tudo que é vendido pelo Estado vai para a China.
Em 2008, o gigante oriental respondia por apenas 5% das exportações capixabas.
“Eles compram principalmente minério, muito importante para as várias obras de
infraestrutura tocadas por lá”, disse Ana Paula. Os Estados Unidos, que até 2008
eram os maiores compradores, com 16%, hoje estão atrás da China, com 13%.
Outro dado importante diz respeito à retomada do comércio de rochas
ornamentais. As vendas do setor foram as que, proporcionalmente, mais cresceram
no intervalo entre o primeiro e quarto trimestre de 2009: 95,2%. Nos primeiros
três meses do ano foram vendidos US$ 70 milhões em mármore granito. Nos últimos
três meses foram US$ 130 milhões.
Apesar das boas notícias, os
economistas afirmam que é preciso estar de olho nos países desenvolvidos,
principalmente EUA e Europa, onde ainda há risco de recaídas, e na inflação que
pode ser potencializada pelo forte crescimento econômico esperado para o
Brasil.
Trabalho em alta
7,2%de desemprego
A
taxa de desemprego foi de 7,2% em janeiro, a menor para um mês de janeiro da
série histórica, iniciada em 2003, e a segunda menor de toda a
série.
Viés de alta
Indústria. Caso o Espírito Santo mantenha
o padrão de crescimento registrado em dezembro de 2009, 4,1%, fecharemos 2010
com uma expansão de 18,1%. A maior já registrada. O Brasil, se mantiver o
crescimento de dezembro, terá uma expansão de 5,51%.
Comércio
Volume de vendas
1º trimestre de 2009
Brasil:
2,5%
Espírito Santo: -0,9%
2º trimestre de 2009
Brasil:
1,1%
Espírito Santo: -0,3%
3º trimestre de 2009
Brasil:
2,4%
Espírito Santo: 1,5%
4º trimestre de 2009
Brasil:
2,5%
Espírito Santo: 4,1%
Emprego. No acumulado de 2009, o saldo do
Espírito Santo foi de 18.975 postos de trabalho. Número considerado bom diante
do que era esperado para o ano passado. Destaque para o setor de serviços, que
gerou 11.649 novas vagas, comércio, com 3.886, e construção civil, com
2.583.
Comércio exterior
2008
Exportações: US$ 10,1
bi
Importações: US$ 8,61 bi
Saldo: US$ 1,49 bi
2009
Exportações:
US$ 6,51 bi
Importações: US$ 5,48 bi
Saldo: US$ 1,03
bi
Brasil
Produção industrial
2010: 8,41%
2011:
4,95%
PIB
2010: 5,5%
2011: 4,5%
Taxa de juros Selic
2010:
11,25%
2011: 11%
Inflação (IPCA)
2010: 4,86%
2011: 4,5%