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Apagão de mão de obra: falta gerente, engenheiro e técnico

5/6/2010        Fonte: ( A Gazeta)       
Mikaella Campos
malmeida@redegazeta.com.br

Justamente no momento em que está crescendo, o mercado de trabalho brasileiro está carente de profissionais qualificados. Mais de 67% das empresas brasileiras estão com dificuldade para contratar. Para fisgar o especialista que está livre, os empregadores fazem de tudo. Chegam a oferecer salários bem atrativos, que ultrapassam R$ 7 mil.

Uma pesquisa da Fundação do Cabral mostra que a escassez de mão de obra especializada, que antes atingia muito a construção civil, espalha-se também por setores como o automobilístico, ferroviário, moveleiro, siderurgia e metalurgia, transportes e serviços. O estudo foi feito com as 76 maiores companhias do país, que afirmam que apesar dos 8 milhões de desempregados no Brasil há uma grande demanda por trabalhadores.

E como em todo o país, o apagão de mão de obra também ocorre no Espírito Santo. Falta gente preparada em vários segmentos, como a construção civil, a meltamecânica, o administrativo e até na indústria da moda.

Um dos principais problemas por aqui está em contratar profissionais com especialização em gerenciamento. Esses especialistas estão em extinção em muitas áreas produtivas.

"O mercado quer pessoas com capacidade para fazer algo diferente. No setor de desenvolvimento de recursos humanos, por exemplo, as empresas não encontram profissionais capazes de trabalhar com o desenvolvimento de pessoas. No setor financeiros está difícil de achar pessoas para trabalhar com investimentos e produção de orçamentos", afirma o vice-presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos e diretor de Desenvolvimento Pessoal da Lorenge, Nilson da Silva.

Segundo ele, arquitetos e engenheiros da construção civil, com especialização em redução de custos, são tão procurados que chegam a ganhar por mês uma remuneração de R$ 7 mil.

Na indústria, há uma grande falta de técnicos. "O setor industrial no Estado está em franca expansão e temos a carência de especialistas em planejamento, controle e manutenção. As empresas querem contratar, no entanto não acham os profissionais preparados para a função. Muitas ficam sem aumentar a produtividade por não achar trabalhador capacitado", explica o presidente da Findes, Lucas Izoton.


Emprego a jato: em 10 dias ela já era funcionária
No setor da construção civil, achar arquitetos e engenheiros não está fácil. A maioria está empregada ou quando se forma corre logo para montar um negócio próprio. Na hora de contratar, principalmente profissionais especializados na construção sustentável, as empresas chegam a ficar meses esperando um candidato para ocupar a vaga.

A arquiteta Tatiana Buzato trabalhava por conta própria. Quando decidiu deixar o negócio para ter a carteira assinada, em 10 dias ela foi contratada pela Lorenge. "É uma área em crescimento. A pessoa que corre atrás consegue trabalho muito rápido."

Para ter um currículo diferenciado e ficar do jeito que o mercado pede, Tatiana faz MBA em Gestão de Obras e Projetos. "É uma forma de me prepara para crescer no mercado e ser valorizada. Agora, minha meta é aproveitar esse emprego na Lorenge para crescer. Acredito que aqui terei mais oportunidades de crescimento se comparado ao tempo que trabalhava sozinha", afirma.


Falta de experiência cria distorção no mercado
Além do apagão de mão de obra qualificação, outro problema tem barrado a contratação: a falta de experiência.

O subsecretário de Trabalho e Geração de Renda, Mauron Rondon, explica que o governo do Estado está em negociação com grandes empreendimentos para oferecer treinamentos e alavancar a empregabilidade.

"Hoje, existe um batalhão de pessoas qualificadas que não encontram uma oportunidade porque não têm experiência. A construção civil, a metalmecânica e a construção pesada são as que mais sofrem com a falta de profissionais qualificados e experientes", acrescenta Mauro Rondon.

Salários
As poucas pessoas com experiência e com capacitação profissional não ficam sem emprego e garante uma remuneração até 20% maior que trabalhador comum.

Uma pesquisa da Catho mostra que a mineração e o setor de petróleo pagam até 20% a mais que a média nacional para quem está preparado; a indústria de automóvel e autopeças, 13%. Já a farmacêutica, 10%.
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