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Depois do 'pibão', governo já prevê crescimento anual de 6,5%

9/6/2010        Fonte: A Gazeta       
Brasília

O ritmo de crescimento da economia brasileira no primeiro trimestre de 2010 surpreendeu a equipe econômica e levou o governo a elevar a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano para mais de 6%, afirmaram os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Paulo Bernardo.

“Nós vamos ter que refazer as contas. Está difícil hoje dar menos de 6%. Eu estou impressionado com a recuperação (mostrada no primeiro trimestre). Foi um pibão”, disse Bernardo, retomando a expressão bem humorada muito frequente nos discursos do governo antes da crise de 2008/2009.

A previsão oficial do governo, feita antes da divulgação do crescimento de 2,7% no primeiro trimestre, era de 5,5%. “O Brasil deve crescer entre 6% e 6,5% este ano. É um ritmo de crescimento sustentável, que vai refletir muito o resultado do primeiro trimestre”, afirmou Mantega.

Ele ressaltou ainda que o Brasil teve, em comparação com o resto do mundo, um dos melhores desempenhos econômicos, perdendo apenas para a China. “Isso mostra o vigor, o dinamismo da economia brasileira”.

Mas o ministro da Fazenda ponderou que o ritmo de janeiro a março tem que ser analisado diante do fato de que o país ainda estava sob o efeito das políticas de combate à crise.

“O primeiro trimestre foi o auge da retomada do crescimento, quando todos estímulos fiscais e monetários ainda estavam exercendo seus efeitos”.

Agora, o governo acredita que o país já entrou em um período de desaceleração do ímpeto demonstrado no primeiro trimestre e que não há uma situação de superaquecimento econômico, que poderia colocar em risco o controle da inflação.

Segundo Mantega, a economia vai desenvolver uma taxa trimestral de expansão de 1% a 1,5% ao longo do ano. O ministro disse que essa “moderação” do crescimento nos próximos trimestres vai refletir o fim das desonerações tributárias, o corte de gastos de R$ 10 bilhões, a volta dos depósitos compulsórios que haviam sido liberados durante a crise e o processo de alta dos juros já iniciado pelo Banco Central, além das dificuldades econômicas da Europa. Segundo ele, é possível observar sinais nessa direção em alguns setores.

Paulo Bernardo, por sua vez, disse que o governo não quer travar o crescimento econômico apesar da retirada dos estímulos. “O que nós estamos tentando fazer é balizar para ter um bom crescimento da economia casado com inflação controlada, com investimentos fortes para sustentar este crescimento nos próximos anos.

Economia capixaba está acelerada
A exemplo do que está acontecendo com o país, a economia capixaba também vem registrando crescimento acelerado nos primeiros meses deste ano, como mostra a avaliação divulgada ontem pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), que coordena o Panorama Econômico do Espírito Santo.

E os resultados positivos foram obtidos, principalmente, pelas exportações no setor de petróleo e gás, dado novo registrado pelos técnicos do Instituto Jones. “Nos três primeiros meses do ano foram exportados, das plataformas de produção do Estado, o referente a US$ 227,62 milhões em petróleo bruto, basicamente para os Estados Unidos e Canadá”, explicou a diretora-presidente do IJSN, Ana Paula Vescovi.

Essa é a primeira vez, segundo ela, que é computado no sistema de exportação o volume referente ao petróleo dos campos capixabas. “O que sabemos é que o produto não passa pelos portos do Estado. Sai direto das plataforma para os navios que fazem o transporte”, destaca Ana Paula. “Somente nos próximos meses teremos ideia se este será um movimento temporário das petroleiras ou permanente”.

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Ainda em relação ao comércio exterior, o início de 2010 mostrou a recomposição dos parceiros comerciais do Estado, especialmente Estados Unidos, que voltaram a assumir o primeiro lugar como destino das exportações capixabas, seguido do Canadá.

Na sequência vem a Holanda, que representa a Europa, por intermédio do porto de Rotterdã, com uma importante participação nas exportações, registrando um aumento de aproximadamente +27% entre o quarto trimestre de 2009 e o primeiro trimestre de 2010.

A China, por sua vez, manteve um padrão praticamente estável em termos do volume de exportações destinado a esse país, o que demonstra uma acomodação no processo de crescimento de nível de atividade.

Segundo o coordenador de estudos econômicos do IJSN, Matheus Magalhães, os indicadores industriais apontam uma retomada da atividade significativa. O Estado registrou o maior crescimento no país (44,07%) em 2010, em relação ao último trimestre de 2009, ficando acima da média nacional, que foi de 18,08%.

Para o mercado de trabalho, o Estado acumulou geração líquida de 21.001 postos de trabalho, com desempenho recorde para o período em termos absolutos. (Denise Zandonadi)

Famílias, indústria, comércio e o impacto no PIB
Famílias. O consumo das famílias aumentou 1,5% no primeiro trimestre de 2010 em relação ao quarto trimestre de 2009, segundo o IBGE. Na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, houve aumento de 9,3% no consumo das famílias. Em 12 meses até março deste ano, o consumo das famílias acumula alta de 6,0%. Apesar da pequena desaceleração no resultado ante o trimestre anterior, o consumo das famílias aumentou 9,3% no primeiro trimestre de 2010 ante igual trimestre do ano passado, na maior expansão na comparação com igual trimestre de ano anterior apurada pelo IBGE desde o terceiro trimestre de 2008, quando havia registrado a mesma variação.

Indústria. A indústria registrou no primeiro trimestre deste ano o maior crescimento (14,6%) ante igual trimestre de ano anterior apurado IBGE desde o início da série histórica do PIB, em 1995. Segundo os números, com o bom desempenho do primeiro trimestre de 2010, o setor já retornou ao patamar pré-crise. A expansão do setor ante igual trimestre do ano passado reflete o crescimento da indústria de transformação (17,2%), construção civil (14,9%), extrativa mineral (13,6%) e energia elétrica e saneamento (8,1%).

Comércio. A taxa de elevação do Produto Interno Bruto (PIB) do comércio, que inclui atacado e varejo e subiu 15,2% no primeiro trimestre de 2010 contra o primeiro trimestre de 2009, foi a maior da série histórica iniciada em 1995.
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