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Brasília
O ritmo de crescimento da economia
brasileira no primeiro trimestre de 2010 surpreendeu a equipe econômica e levou
o governo a elevar a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano para
mais de 6%, afirmaram os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento,
Paulo Bernardo.
“Nós vamos ter que refazer as contas. Está difícil hoje
dar menos de 6%. Eu estou impressionado com a recuperação (mostrada no primeiro
trimestre). Foi um pibão”, disse Bernardo, retomando a expressão bem humorada
muito frequente nos discursos do governo antes da crise de 2008/2009.
A
previsão oficial do governo, feita antes da divulgação do crescimento de 2,7% no
primeiro trimestre, era de 5,5%. “O Brasil deve crescer entre 6% e 6,5% este
ano. É um ritmo de crescimento sustentável, que vai refletir muito o resultado
do primeiro trimestre”, afirmou Mantega.
Ele ressaltou ainda que o Brasil
teve, em comparação com o resto do mundo, um dos melhores desempenhos
econômicos, perdendo apenas para a China. “Isso mostra o vigor, o dinamismo da
economia brasileira”.
Mas o ministro da Fazenda ponderou que o ritmo de
janeiro a março tem que ser analisado diante do fato de que o país ainda estava
sob o efeito das políticas de combate à crise.
“O primeiro trimestre foi
o auge da retomada do crescimento, quando todos estímulos fiscais e monetários
ainda estavam exercendo seus efeitos”.
Agora, o governo acredita que o
país já entrou em um período de desaceleração do ímpeto demonstrado no primeiro
trimestre e que não há uma situação de superaquecimento econômico, que poderia
colocar em risco o controle da inflação.
Segundo Mantega, a economia vai
desenvolver uma taxa trimestral de expansão de 1% a 1,5% ao longo do ano. O
ministro disse que essa “moderação” do crescimento nos próximos trimestres vai
refletir o fim das desonerações tributárias, o corte de gastos de R$ 10 bilhões,
a volta dos depósitos compulsórios que haviam sido liberados durante a crise e o
processo de alta dos juros já iniciado pelo Banco Central, além das dificuldades
econômicas da Europa. Segundo ele, é possível observar sinais nessa direção em
alguns setores.
Paulo Bernardo, por sua vez, disse que o governo não quer
travar o crescimento econômico apesar da retirada dos estímulos. “O que nós
estamos tentando fazer é balizar para ter um bom crescimento da economia casado
com inflação controlada, com investimentos fortes para sustentar este
crescimento nos próximos anos.
Economia capixaba está acelerada
A exemplo do que está acontecendo com o país, a economia capixaba
também vem registrando crescimento acelerado nos primeiros meses deste ano, como
mostra a avaliação divulgada ontem pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN),
que coordena o Panorama Econômico do Espírito Santo.
E os resultados
positivos foram obtidos, principalmente, pelas exportações no setor de petróleo
e gás, dado novo registrado pelos técnicos do Instituto Jones. “Nos três
primeiros meses do ano foram exportados, das plataformas de produção do Estado,
o referente a US$ 227,62 milhões em petróleo bruto, basicamente para os Estados
Unidos e Canadá”, explicou a diretora-presidente do IJSN, Ana Paula
Vescovi.
Essa é a primeira vez, segundo ela, que é computado no sistema
de exportação o volume referente ao petróleo dos campos capixabas. “O que
sabemos é que o produto não passa pelos portos do Estado. Sai direto das
plataforma para os navios que fazem o transporte”, destaca Ana Paula. “Somente
nos próximos meses teremos ideia se este será um movimento temporário das
petroleiras ou permanente”.
Parceiros Ainda em
relação ao comércio exterior, o início de 2010 mostrou a recomposição dos
parceiros comerciais do Estado, especialmente Estados Unidos, que voltaram a
assumir o primeiro lugar como destino das exportações capixabas, seguido do
Canadá.
Na sequência vem a Holanda, que representa a Europa, por
intermédio do porto de Rotterdã, com uma importante participação nas
exportações, registrando um aumento de aproximadamente +27% entre o quarto
trimestre de 2009 e o primeiro trimestre de 2010.
A China, por sua vez,
manteve um padrão praticamente estável em termos do volume de exportações
destinado a esse país, o que demonstra uma acomodação no processo de crescimento
de nível de atividade.
Segundo o coordenador de estudos econômicos do
IJSN, Matheus Magalhães, os indicadores industriais apontam uma retomada da
atividade significativa. O Estado registrou o maior crescimento no país (44,07%)
em 2010, em relação ao último trimestre de 2009, ficando acima da média
nacional, que foi de 18,08%.
Para o mercado de trabalho, o Estado
acumulou geração líquida de 21.001 postos de trabalho, com desempenho recorde
para o período em termos absolutos. (Denise Zandonadi)
Famílias, indústria, comércio e o impacto no PIB
Famílias. O consumo das famílias aumentou 1,5% no primeiro
trimestre de 2010 em relação ao quarto trimestre de 2009, segundo o IBGE. Na
comparação com o primeiro trimestre do ano passado, houve aumento de 9,3% no
consumo das famílias. Em 12 meses até março deste ano, o consumo das famílias
acumula alta de 6,0%. Apesar da pequena desaceleração no resultado ante o
trimestre anterior, o consumo das famílias aumentou 9,3% no primeiro trimestre
de 2010 ante igual trimestre do ano passado, na maior expansão na comparação com
igual trimestre de ano anterior apurada pelo IBGE desde o terceiro trimestre de
2008, quando havia registrado a mesma variação.
Indústria. A indústria
registrou no primeiro trimestre deste ano o maior crescimento (14,6%) ante igual
trimestre de ano anterior apurado IBGE desde o início da série histórica do PIB,
em 1995. Segundo os números, com o bom desempenho do primeiro trimestre de 2010,
o setor já retornou ao patamar pré-crise. A expansão do setor ante igual
trimestre do ano passado reflete o crescimento da indústria de transformação
(17,2%), construção civil (14,9%), extrativa mineral (13,6%) e energia elétrica
e saneamento (8,1%).
Comércio. A taxa de elevação do Produto Interno
Bruto (PIB) do comércio, que inclui atacado e varejo e subiu 15,2% no primeiro
trimestre de 2010 contra o primeiro trimestre de 2009, foi a maior da série
histórica iniciada em 1995. |