O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, disse nesta terça-feira
(22) que a companhia irá construir um polo gás-químico no Espírito Santo, dentro
da estratégia de desenvolver mercados mais flexíveis para o gás natural e
agregar valor ao insumo. "Investiremos em um complexo gás-químico no Espírito
Santo, que irá produzir diversos produtos, entre eles o metanol", afirmou o
executivo em teleconferência com analistas, sem dar detalhes sobre o
empreendimento.
O novo projeto faz parte do Plano Estratégico 2010-2014,
anunciado nesta segunda-feira pela companhia, que prevê investimentos de US$ 5,7
bilhões em empreendimentos gás-químicos. Além do complexo no Espírito Santo, o
executivo revelou que a estatal construirá três outras unidades nesta área: duas
fábricas de amônia, sendo uma em Sergipe e outra em Uberaba (MG), e uma
instalação de ureia em Três Lagoas (MS), com produção marginal de
amônia.
"Esses investimentos permitirão flexibilizar o consumo de gás,
otimizando a rentabilidade dos investimentos já realizados", afirmou o
executivo. A Petrobras está buscando tornar o consumo de gás mais flexível em
função da necessidade de garantir o insumo em 100% do tempo para as térmicas.
Como essas usinas só entram em operação quando o nível dos reservatórios das
hidrelétricas está baixo, a Petrobras precisa encontrar outros mercados para o
gás, para evitar que sua infraestrutura fique ociosa e para que não haja queima
de insumo nos campos de produção.
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antecipada
Refino de petróleo
Gabrielli disse ainda que
a forte expansão do refino, prevista no Plano de Negócios 2010-2014, será
positiva para estatal no longo prazo. "Mesmo que ocorra um aumento dos
investimentos que penalize o retorno no curto prazo, acreditamos que, no longo
prazo, a atuação integrada será positiva para a companhia", afirmou o
executivo.
O plano prevê investimentos de US$ 73,36 bilhões nas
atividades de refino e distribuição, valor que é 70% superior aos US$ 43,4
bilhões projetados no plano anterior, de 2009 a 2013. No mesmo período, os
aportes em exploração e produção (E&P) crescerão apenas 14%, de US$ 104,6
bilhões para US$ 118,8 bilhões. "Não observamos que esse cenário sinalize uma
limitação na nossa capacidade de crescer em E&P, mas sim que temos
oportunidades na área de refino, com o aumento da demanda do mercado interno",
afirmou.
Gabrielli lembrou que, desde 1980, a estatal concentrou os seus
investimentos na expansão da capacidade de produção de petróleo. Tanto que a
relação entre produção e refino passou de 13% em 1980 para 108%, em 2009. Com a
entrada em operação de novas refinarias no período, a Petrobras prevê que essa
relação alcance 132% em 2014 e 123% em 2020. "Vamos continuar aumentando a
produção, e isso exige o crescimento da nossa capacidade de refino", afirmou o
presidente da estatal. Segundo ele, a demanda interna de derivados também é
crescente.
Para o executivo, a atuação integrada da Petrobras na cadeia
do petróleo é uma vantagem da companhia ante seus pares na indústria
petrolífera. "No mundo, ou as empresas são grandes exportadoras de óleo cru, ou
são grandes refinadoras. São poucas as companhias que possuem uma atuação
integrada como a Petrobras", comentou.
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