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Barra do Furado: potencial mundial para reciclagem de embarcações

Podcast Energize-se  |  CDMEC  |  Convidado: Ricardo Luiz de Lima Viana, Presidente do Terminal de Serviços e Logística de Barra do Furado  |  Todo o conteúdo deste artigo foi extraído da entrevista.

Condução: Carlos Henrique Veloso de Carvalho e Carlos Jardim Sena, Presidente e Diretor do CDMEC.

No episódio 042 do Energize-se, conversamos com Ricardo Luiz de Lima Viana, economista carioca com vasta experiência em finanças, logística e projetos de infraestrutura. Ricardo é o presidente do Terminal de Serviços e Logística de Barra do Furado, empreendimento da BR Offshore Investimentos e Participações, localizado entre os municípios de Quissamã e Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro. O projeto começou a ser desenvolvido em 2011 e finalmente avança para a fase de construção.


De onde veio o projeto e o que é Barra do Furado

Ricardo contou que o projeto nasceu com o objetivo de implantar uma base de apoio à indústria de óleo e gás, aproveitando a localização estratégica de Barra do Furado: a 70 km ao norte de Macaé, 25 km abaixo do Porto de Açu, 40 km de Campos e 60 km da fronteira com o Espírito Santo. A crise do petróleo de 2015 freou o projeto, que só voltou a avançar a partir de 2021, com a retomada dos preços.

Nesse processo de reavaliação, Ricardo identificou uma nova oportunidade: a atividade de reciclagem de embarcações, impulsionada por mudanças regulatórias importantes no Brasil e no mundo.


Descomissionamento e reciclagem: qual a diferença?

Durante a entrevista, Ricardo fez questão de deixar claro a diferença entre os dois termos, que muitas vezes são usados como sinônimos.

“Descomissionamento é fazer as desconexões e desmontagens dos equipamentos e das plataformas que estão em operação. Reciclagem é quando você traz a embarcação para a terra para fazer o corte com toda a segurança ambiental e dos trabalhadores.”

As duas atividades são sequenciais. Primeiro se descomissiona, depois se destina o material: reutilização em outros campos ou reciclagem. O setor ainda usa os dois termos de forma ampla, mas tecnicamente são etapas distintas de um mesmo processo.


O tamanho do empreendimento e as oportunidades para o setor metalmecânico

O Terminal de Barra do Furado terá cerca de 1 milhão de metros quadrados, com 1.000 metros de cais e uma rampa de encalhe para receber FPSOs — as grandes plataformas flutuantes. Cada embarcação pode ter até 50 mil toneladas de aço, 350 metros de comprimento e quase 100 metros de altura com equipamentos. A produção estimada é de 100 mil toneladas de resíduo metálico por ano, com capacidade para 3 a 4 embarcações simultaneamente.

“Toda a indústria metalmecânica pode se inserir na recuperação desses equipamentos. Desde reforma de equipamentos a coisas simples como uma escada metálica que pode ser reaproveitada em vez de ser derretida.”

O aço gerado será destinado às siderúrgicas da região, incluindo as do Espírito Santo. Ricardo citou que o estado é naturalmente atrativo pela proximidade e pela qualidade da sua indústria metalmecânica.


A Convenção de Hong Kong e o momento regulatório

Ricardo explicou que a entrada em vigor da Convenção de Hong Kong, que regula a forma como embarcações devem ser recicladas no mundo, criou uma demanda que vai muito além do Brasil. Países com armadores de bandeiras signatárias precisam adotar processos seguros e sustentáveis de reciclagem, o que gera oportunidades para o Brasil atrair embarcações do Atlântico Sul.

“A Austrália está mandando plataformas para a Dinamarca. Não faz sentido nenhum. As embarcações do Atlântico Sul estão aqui do lado.”

Espírito Santo e Rio de Janeiro: parceiros, não concorrentes

Um dos pontos mais marcantes da conversa foi a forma como Ricardo posicionou a relação entre os dois estados. Questionado sobre a possibilidade de o Espírito Santo desenvolver portos de descomissionamento próprios, ele foi direto.

“Não precisa brigar. A gente tem que se unir para fazer com que as coisas aconteçam no Brasil. Tem mercado para todo mundo.”

Ricardo revelou ainda que empresas capixabas foram as que demonstraram maior interesse em participar do empreendimento, e que a proximidade geográfica torna o Espírito Santo um fornecedor natural de serviços para o Terminal de Barra do Furado.


Um convite ao CDMEC e à ABDS

Ao final da entrevista, Carlos Sena apresentou a ABDS — Associação Brasileira de Descomissionamento Sustentável, iniciativa que o CDMEC está patrocinando — e convidou Ricardo a integrar a entidade. Ricardo aceitou o convite com entusiasmo e reiterou a importância de criar um marco legal nacional para a atividade.

“Temos hoje no Brasil uma oportunidade ímpar de desenvolver uma atividade de reciclagem de embarcações a nível mundial. Ninguém vai conseguir fazer sozinho.”

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Energize-se é um podcast patrocinado pela Mútua, iniciativa do CDMEC e da FCEL.



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