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UVV: A Melhor Faculdade Privada do Brasil Aprovada pelo MIT

29 de ago.
4 min de leitura

Atualizado: 31 de ago.

Alessandro Coutinho Ramos mostrou na Ilha da Inovação como a UVV, o Estado e o MIT vão trabalhar juntos a logística capixaba, e apresentou o Vila Valley, novo ecossistema de inovação em Vila Velha.


UVV na Ilha da Inovação do CDMEC / MecShow 2026.Palestrante: Alessandro Coutinho Ramos, Pró-Reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Extensão.


O Espírito Santo se tornou o primeiro estado brasileiro aprovado, nesta edição, no MIT REAP, programa do MIT que acelera ecossistemas regionais de inovação ao redor do mundo. O Estado tentou duas vezes antes, em 2023 e 2024, sem sucesso. Desta vez conseguiu, com foco em logística, e quem lidera o projeto pela academia é a UVV, ao lado da iniciativa Vila Valley.

Quem trouxe a novidade na Ilha da Inovação, o espaço do CDMEC dentro da MEC SHOW 2026, no Pavilhão de Carapina, em Serra, foi Alessandro Coutinho Ramos, pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Extensão da UVV, agrônomo de formação e um dos nomes por trás da aprovação capixaba no programa.


O que é o MIT REAP e por que o Espírito Santo entrou nele

O programa reúne um time de 15 pessoas, acompanhado semanalmente por mentores do MIT, que recebe toda a metodologia e os frameworks da instituição para organizar a logística do estado. O projeto se chama Espírito Santo Smart Logistics and Supply Chain e nasceu de uma visita técnica de Conrado, embaixador do MIT, que percorreu associações empresariais, a Secti, a Fapes e a Secretaria de Desenvolvimento antes de decidir que logística seria o eixo escolhido para o Espírito Santo.

Segundo Alessandro, o que credenciou a proposta não foi a academia, mas as contas do próprio Estado: o MIT avaliou a transparência fiscal capixaba antes de aceitar abrir a parceria. A aprovação saiu em abril e o projeto começa oficialmente depois da assinatura da LOA, com o próprio MIT anunciando em seu site.

“Não foi o Alessandro que chegou no MIT. Quem chegou no MIT foi o Estado.”

Vila Valley: quando a cidade inteira vira hub de inovação

O outro anúncio da apresentação foi o Vila Valley, ecossistema de inovação que a UVV está estruturando em Vila Velha, com sede na Casa Amarela, na Prainha, cedida pela prefeitura por 20 anos. O modelo foge dos hubs tradicionais: em vez de um espaço fechado, a proposta é fazer da própria cidade o centro de inovação, inspirada no plano ES 500 Anos e articulada em torno de uma quíntupla hélice que reúne governo, universidades, empresas, sociedade civil e sustentabilidade financeira.

O projeto reúne parceiros como UFES, IFES, Multivix, CDL, MCI, Fapes, Secti, a Prefeitura de Vila Velha e a Assevila, e já nasce com estrutura de comunicação própria: José Luiz Dantas, da UVV, cedeu ao Vila Valley uma rádio (97,7 FM) e uma TV, com produção multiplataforma para YouTube e redes sociais.

Entre os programas do Vila Valley está o Startup Valley, que vai aplicar no Espírito Santo o Disciplined Entrepreneurship, metodologia de aceleração do próprio MIT usada para gerar mais de 5 mil startups, hoje responsáveis por mais de 3 trilhões de dólares em faturamento no mundo. Outra frente é uma escola de inteligência artificial voltada a jovens de escola pública, pessoas com mais de 50 anos e a comunidade afrodescendente, com 30 computadores de IA, avaliados em R$ 120 mil cada, adquiridos para os treinamentos.


A trajetória da UVV em pesquisa e inovação

A UVV é a única universidade privada com fins não lucrativos, entre mais de 75 instituições do setor no Espírito Santo, que buscou o título pleno de universidade, o que exige no mínimo quatro mestrados e dois doutorados. Hoje mantém 58 pesquisadores no quadro e seis programas de pós-graduação, com nota mínima 4 na avaliação da Capes e dois deles com nota 5. No ano passado, esse grupo captou R$ 6,5 milhões em bolsas e fomento à pesquisa.

Alessandro também foi representante institucional do Centelha na UVV desde 2018, programa estadual de inovação em que a universidade chegou a responder por 2.495 das 3.550 ideias inscritas no Espírito Santo, com taxa de aprovação de 30% por fase. Do programa também nasceu a Jade Autism, startup premiada em Dubai. Recentemente, a universidade formalizou uma política de inovação e, neste ano, uma política de inteligência artificial.

A UVV também vive um momento de transição: em 2026, o controle da mantenedora foi vendido para a Clariens Educação, braço educacional da Mubadala Capital, fundo soberano dos Emirados Árabes. A operação chega dois anos depois de a UVV comprar a Faculdade UCL, em Manguinhos, Serra, batizada à época de miniatura do MIT capixaba.


Inteligência artificial e o papel da universidade

Provocado sobre como as universidades vão sobreviver ao avanço da inteligência artificial e da robótica, Alessandro defendeu que ciência e pesquisa são exatamente o que vai diferenciar quem produz conteúdo apenas repetindo o que a IA já faz. Ele citou uma normativa recente do CNPq que pune com sanções alunos, orientadores e instituições em casos de teses fraudadas por inteligência artificial, e defendeu que regulação não é censura.

“A gente tem que ter muito cuidado. A mente humana, o ser humano, vai fazer a diferença, porque está tudo automatizado.”

Ele também citou uma mudança recente nos critérios da Capes, que hoje valoriza mais um aluno que abre uma startup durante a pós-graduação do que a publicação de um artigo isolado, ainda que em revista de peso internacional.


O desafio de transformar pesquisa em negócio

No debate, Carlos Jardim Sena, diretor do CDMEC, provocou os painelistas sobre como as universidades capixabas pretendem monetizar a inovação que produzem, questionando a alta dependência de recursos públicos como Fapes e Fundo Soberano do Espírito Santo. Alessandro reconheceu o gargalo: dos 58 pesquisadores da UVV, apenas sete têm hoje perfil pronto para negociar diretamente com empresas.

Carlos Henrique Veloso de Carvalho, presidente do CDMEC, completou a provocação lembrando que o capital privado só chega quando sabe onde procurar, e defendeu mais divulgação do que as universidades capixabas já produzem em ciência e tecnologia. Segundo ele, o CDMEC está à disposição para ajudar a promover essas iniciativas, inclusive internacionalmente.

“O capital não vai aparecer se ele não sabe o que vocês estão fazendo. Sem isso, o dinheiro não aparece.”

Assista à apresentação completa no canal do CDMEC no YouTube. Quer aproximar sua empresa da agenda de inovação da indústria capixaba? Associe-se ao CDMEC.


Apresentação e debate conduzidos por Carlos Henrique Veloso de Carvalho e Carlos Jardim Sena, presidente e diretor do CDMEC.



 
 

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