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Como investimentos públicos aceleram startups no Espírito Santo

30 de ago.
5 min de leitura

Atualizado: 31 de ago.

Subsecretário Matheus Oggioni apresentou na Ilha da Inovação do CDMEC o mapa completo do fomento estadual à inovação, dos programas de aceleração de startups ao financiamento via royalties do petróleo.


SECTI na Ilha da Inovação do CDMEC / MecShow 2026.Palestrante: Matheus Oggioni, subsecretário de Projetos Integrados da SECTI.


A Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional do Espírito Santo (SECTI) apresentou, na Ilha da Inovação do CDMEC durante a MecShow 2026, um panorama completo das políticas públicas capixabas de fomento à inovação. Quem conduziu a apresentação foi Matheus Oggioni, subsecretário de Projetos Integrados da SECTI, que também coordena diretamente o programa ES+Inteligente, projeto de tecnologia do governo estadual responsável pela construção de um novo data center para o Estado, de uma plataforma integrada de serviços públicos e de um novo centro integrado de defesa social.


Do Centro de Pesquisa ao Hub de Inovação

Oggioni começou pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da SECTI, inaugurado em 2018, que reúne projetos de matriz energética, robótica voltada à inclusão de jovens com neurodiversidade, gestão de energia em prédios públicos, o plano estadual de descarbonização, um escritório de dados municipais, uma usina fotovoltaica e produtos próprios como a árvore solar, além de serviços de acreditação e caracterização física, química e microbiológica.

Na Praça Costa Pereira, no centro de Vitória, a SECTI opera em conjunto com a Secretaria de Cultura (Secult) o Hub de Inovação, que dá suporte a projetos culturais, startups e programas de aceleração, com salas de reunião, capacitação e coworking para quem empreende na região central da capital. É de lá que a Secult também conduz o programa S+Criativo, conectando economia criativa e agenda de inovação.


Conexão e Inovação e a difusão pelo interior

Outra frente apresentada foi o programa Conexão e Inovação, que articula recursos do governo do estado com Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs) para desenvolver soluções de interesse público. Entre os projetos citados estão um sistema de biogás na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), uma trava eletrônica para containers desenvolvida pelo CINDEX e pelo CINCAD em parceria com o Instituto Federal, a Receita Federal e a alfândega capixaba, um projeto de teste olfativo para os cães da Polícia Militar, o programa Sementes do Rio Doce, de aceleração de startups, e o programa S Empreendedor, voltado à formação empreendedora.

A difusão da cultura de inovação para além da Grande Vitória é o objetivo do Inovapop: mais de 100 mil pessoas participaram dos eventos apoiados pelo programa, entre eles a ESX, principal vitrine capixaba do setor. Ao todo já foram mais de 55 eventos apoiados, mais de 270 startups expositoras e mais de R$ 15 milhões mobilizados e investidos. A SECTI também mantém quatro incubadoras dentro de Centros de Educação Técnica Estadual, em João Neiva, Castelo, Vargem Alta e Vila Velha (Vasco Coutinho), sendo que duas já avançam para o nível 3 de certificação CERNE e as outras duas implementam o nível 1.


SEEDES: R$ 100 mil por startup e R$ 9,7 milhões em faturamento

O principal programa de investimento direto em startups operado pela SECTI, com recursos do Fundo Estadual de Ciência e Tecnologia (Funcitec/MCI), é o SEEDES (Startups e Empreendedorismo Estadual em Desenvolvimento). No primeiro ciclo, 30 startups receberam aporte de R$ 100 mil cada e, em cerca de nove meses, somaram mais de R$ 9,7 milhões em faturamento e captaram mais de R$ 1 milhão em recursos adicionais. Para o segundo semestre de 2026, a SECTI prepara o Seedes 3, com aporte de R$ 200 mil por startup em 20 negócios selecionados, reforçando também a compra pública de inovação, mecanismo pelo qual o poder público passa a adquirir diretamente soluções dessas startups.

Já o programa Sementes tem foco no interior do estado: 50 startups receberam R$ 100 mil cada, com investimento total de R$ 7,6 milhões. A diferença em relação ao SEEDES é o estágio: enquanto este busca negócios que já têm protótipo, mercado e clientes, o Sementes também acolhe ideias em fase inicial, complementando os programas que a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (FAPES) já oferece.

Para formar a próxima geração de inovadores, a SECTI lançou ainda o programa Talento Capixaba, voltado a escolas municipais, com centros de inovação equipados com realidade virtual, impressão 3D e operação de drones. A meta é impactar mais de 15 mil alunos, despertando o interesse por inovação ainda na infância.


O mapa do fomento: do royalty do petróleo ao capital de risco

Oggioni fechou a apresentação com um mapa dos instrumentos de fomento à inovação disponíveis no Brasil. No apoio financeiro indireto estão os incentivos fiscais e os investimentos obrigatórios: a Agência Nacional do Petróleo (ANP) exige que 0,5% de toda a receita de royalties do petróleo seja destinado à inovação, obrigação que a Petrobras cumpre por meio de seus próprios programas, e a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) impõe regra semelhante às distribuidoras de energia, caso da EDP, que investe de forma contínua em pesquisa e desenvolvimento regulado. Somam-se a isso a Lei do Bem, o Rota 2030 e a Lei da Informática, mecanismos federais que se combinam a políticas estaduais como o programa capixaba de transição energética.

No apoio financeiro direto, Oggioni listou os recursos reembolsáveis (empréstimos), os não reembolsáveis (editais de inovação), os recursos humanos via bolsas e os investimentos de capital de risco, como Seed Money, Venture Capital, Equity, crowdfunding e Corporate Venture. Os programas da própria SECTI, como o SEEDES, se enquadram no Seed Money, enquanto o Talento Capixaba está na formação de recursos humanos via bolsas de inovação. Todo esse conjunto de metas e linhas de ação está detalhado no Plano Estadual de Ciência e Tecnologia, com horizonte até 2035.


O que é inovação, afinal?

No debate que fechou o painel, mediado por Carlos Henrique Veloso de Carvalho e Carlos Jardim Sena, Matheus Oggioni foi provocado a definir o conceito que dá nome a toda a política pública que apresentou. Para ele, inovação é todo desenvolvimento aplicado a um produto ou serviço que gera uma melhoria mensurável e traz resultado positivo, seja em produtividade, segurança, usabilidade ou relacionamento, seja dentro de um processo estruturado, seja por acidente, desde que a melhoria seja percebida e compreendida.

“A inovação não está necessariamente no desenvolvimento e na descoberta da tecnologia, mas sim na aplicação. É isso que diferencia a inovação da pesquisa e desenvolvimento.”

Oggioni distinguiu ainda três modalidades de inovação, a incremental, a disruptiva e a criadora de mercado, e deu exemplos concretos: levar uma tecnologia já existente a um contexto onde ela ainda não chegou, como telecomunicações a uma região isolada, transforma a realidade local e conta como inovação; uma indústria siderúrgica que passa a investir em transição energética ou valorização de resíduos, mesmo fora do seu core business, também inova ao abrir novas frentes de atuação; e enviar equipes técnicas para desenvolver, junto a fornecedores externos, soluções customizadas também gera inovação, porque retém conhecimento dentro da empresa.

A discussão fechou conectando inovação a financiamento: tecnologias de risco já conhecido e calculável se encaixam no mercado privado de crédito, com recursos reembolsáveis; já as apostas de risco desconhecido dependem de políticas públicas dispostas a assumir esse risco, com recursos não reembolsáveis, exatamente o espaço que a FAPES e o BANDES ocupam ao lado da SECTI no ecossistema capixaba de inovação.


Quer acompanhar de perto os próximos passos da inovação capixaba? Associe-se ao CDMEC e participe das discussões que estão moldando o futuro econômico do Espírito Santo.


Apresentação e debate conduzidos por Carlos Henrique Veloso de Carvalho e Carlos Jardim Sena, presidente e diretor do CDMEC.



 
 

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