Inovação na UVV: IA, Startups e o futuro da universidade
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- 8 de jun.
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Podcast Energize-se · Episódio 039 · Iniciativa CDMEC + FCEL · Patrocínio Mútua/CREA-ES
Uma convidada fora do comum
No episódio 039 do Energize-se — podcast que conecta inovação, tecnologia e transição energética, conversamos com a Professora Doutora Denise Coltinho, reitora da Universidade de Vila Velha (UVV) e primeira reitora mulher de todas as faculdades capixabas. A UVV é uma das instituições de ensino superior privadas mais premiadas do Brasil, com reconhecimento nacional e internacional na área de inovação e empreendedorismo.
Da farmácia à reitoria: uma trajetória internacional
A história da Dra. Denise começa com uma curiosidade: antes de seguir o caminho acadêmico, ela cursou técnico em metalurgia. O encantamento com a química a levou ao curso de Farmácia no Espírito Santo, seguido de mestrado e doutorado na UFMG.
Durante o doutorado, ela estudou nos Estados Unidos com o pesquisador responsável pela descoberta do resveratrol — molécula presente no vinho tinto e amplamente estudada por seus efeitos antioxidantes e preventivos. Depois, passou uma temporada na Alemanha, de onde recebeu um e-mail anunciando que a Universidade de Vila Velha buscava pesquisadores para compor seu quadro.
"Minha prova prática foi online. Montei um estúdio na Alemanha, lá já se tinha essa prática há quase 20 anos, quando ninguém pensava nisso."
— Dra. Denise Coltinho, Reitora da UVV
A anedota revela muito do perfil da instituição que ela hoje lidera: antes mesmo da pandemia democratizar os processos seletivos remotos, a UVV já operava com essa mentalidade inovadora.
50 anos de história, 15 de universidade
A UVV completou 50 anos em 2024. A transformação de faculdade em centro universitário e, depois, em universidade plena — título conquistado há cerca de 15 anos — seguiu um rigoroso planejamento estratégico: contratação de doutores, criação de programas de mestrado e doutorado aprovados pela CAPES, e construção de uma cultura de pesquisa sustentada.
Em 2016, a universidade passou por um profundo reposicionamento. Treze profissionais foram enviados para a Steinbeis University, na Alemanha, trazendo de volta metodologias e uma visão clara: ser uma instituição inovadora de referência internacional.
Esse norte estratégico remodelou processos, currículos, corpo docente e cultura institucional — e os resultados começaram a aparecer.
Reconhecimento nacional e internacional
A UVV acumula prêmios nacionais e internacionais na área de qualidade e inovação em ensino superior.
É a melhor universidade particular do Brasil, reconhecimento alcançado por vários anos consecutivos pelo Ministério da Educação (MEC), por meio do Índice Geral de Cursos (IGC) e avaliações do INEP, o ranking das Universidades Empreendedoras.
É a única instituição do Espírito Santo presente no Times Higher Education (THE), que elenca as melhores universidades do mundo, e obteve posições de excelência nos exames do Enade para cursos como Medicina Veterinária e Odontologia.
Para a Dra. Denise, esse reconhecimento é consequência direta da consistência: "Quando você tem um norte muito claro, todos os processos são remodelados dia a dia."
O ecossistema de inovação da UVV
Durante a conversa, a reitora detalhou as principais frentes que consolidaram a UVV como referência em inovação:
Business School: ecossistema reunindo administração, marketing, publicidade, ciências contábeis e econômicas, com empresas reais propondo desafios reais para os alunos.
Empresa Júnior: a UVV ocupa a 26ª posição no ranking nacional das Universidades Empreendedoras (Brasil Júnior) e a 6ª em cultura empreendedora segundo os próprios alunos.
Pesquisa de ponta: pesquisadores do corpo docente são apontados por sistemas de inteligência artificial globais como referência mundial em suas especialidades, com artigos publicados em periódicos de primeira linha.
Metodologias ativas: currículos redesenhados a partir da escuta do mercado, com especialistas do setor produtivo dentro de sala de aula para aproximar teoria e prática desde o primeiro ano.
Um exemplo citado com entusiasmo pelos apresentadores: a UVV desenvolve tecnologia voltada à reabilitação de membros — e esse produto é fabricado no Espírito Santo, por empreendedores capixabas.
O desafio do financiamento público-privado
Um dos momentos mais relevantes do episódio foi a discussão sobre a barreira que instituições privadas com fins lucrativos enfrentam para acessar editais públicos como os da FINEP. Existe um preconceito estrutural — a suspeita de que o capital público financiaria o lucro privado, em vez de gerar conhecimento para a sociedade.
"Numa instituição particular com fins lucrativos, a gente tem que entregar resultado. E esse resultado é mensal — a gente segue, a gente acompanha. Somos julgados da mesma forma, mas com regras diferentes."
— Dra. Denise Coltinho
A reitora reconhece o temor legítimo do mau uso do recurso público, mas aponta que nos Estados Unidos essa visão já foi superada há décadas, com modelos de governança específicos que regulam essa relação de forma eficiente. O Espírito Santo, graças à FAPES, já demonstra um entendimento mais maduro — e a UVV tem colhido os frutos disso.
Quatro pilares para uma carreira de sucesso
Ao encerrar a conversa, a Dra. Denise deixou uma mensagem para estudantes e profissionais:
1. Tenha um plano. Defina onde quer estar em 1, 5 e 10 anos. Um plano claro funciona como bússola nos momentos de desvio.
2. Tenha coragem. Coragem de permanecer firme mesmo quando tudo der errado — e vai dar errado. Errar faz parte da curva de conhecimento.
3. Tenha fé. Fé nas pessoas e em um propósito maior. A fé mantém os olhos iluminados mesmo na escuridão.
4. Cuide da saúde. Vida profissional, espiritual e física precisam caminhar juntas. Sem saúde, não há capacidade de ser feliz com os resultados conquistados.
Reflexão final
O episódio 039 do Energize-se deixa claro que o Espírito Santo possui instituições de ponta capazes de competir — e vencer — em nível internacional. A UVV é prova viva de que qualidade, planejamento e cultura de inovação são possíveis no setor privado, mesmo com as restrições estruturais que ainda existem.
Para o CDMEC e o FCEL, o diálogo entre universidade e o setor produtivo é o que transforma potencial em resultado concreto.
Como resume a própria reitora: "Nós somos eternos estudantes. A gente estuda do dia que nasce até o dia que morre para não enferrujar, não ficar obsoleto." Uma lição que vale tanto para pessoas quanto para organizações.













