EPE: planejamento energético e oportunidades para o ES - Thiago Ivanoski - CDMEC - SINERGES 2026
O diretor da EPE mostrou por que o Brasil é referência em energia limpa, como data centers e carros elétricos vão mudar o consumo e onde estão as oportunidades para o Espírito Santo.
Palestrante: Thiago Ivanoski Teixeira, diretor de Estudos Econômico-Energéticos e Ambientais da EPE.
O Brasil é referência mundial em energia limpa, o consumo de eletricidade pode quadruplicar até 2050 e o Espírito Santo tem espaço na rede para novos projetos. Esses foram os recados de Thiago Ivanoski Teixeira, diretor de Estudos Econômico-Energéticos e Ambientais da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), na primeira palestra do 2º Fórum SINERGES Espírito Santo, realizado em 16 de setembro de 2026, na sede da FINDES, em Vitória. O tema foi Cenário energético brasileiro: o futuro do setor elétrico e os impactos para os estados.
Em resumo:
· Cerca de 50% da matriz energética brasileira é renovável, contra cerca de 15% no mundo. Na matriz elétrica, são cerca de 90%.
· O Espírito Santo passou de cerca de 1 GW para 3 GW de capacidade instalada em 20 anos.
· Segundo a EPE, o Estado tem margem na rede de transmissão para novas cargas e nova geração.
· O Plano Decenal de Energia prevê cerca de R$ 600 bilhões em investimentos no setor em 10 anos.
O que é a EPE e como funciona o planejamento energético do Brasil
A EPE é a empresa pública federal, criada há 21 anos, que produz os estudos técnicos usados no planejamento energético do país. Thiago explicou que o trabalho vai além do setor elétrico e integra petróleo, gás natural, biocombustíveis, nuclear e eletricidade. São três estudos principais: o Balanço Energético Nacional, com as estatísticas do setor; o Plano Decenal de Energia (PDE), que mostra como o Brasil será abastecido nos próximos 10 anos e prevê cerca de R$ 600 bilhões em investimentos; e o Plano Nacional de Energia (PNE), que olha 30 anos à frente e é atualizado a cada cinco anos.
Quanto da energia do Brasil é renovável?
Cerca de metade da matriz energética brasileira vem de fontes renováveis, contra cerca de 15% na média mundial. Na matriz elétrica, a participação chega a cerca de 90%, enquanto o mundo fica perto de 30%. Em 10 anos, o país saiu de 40% para 50% de renováveis na matriz energética, um avanço que, segundo Thiago, nenhum outro país fez. O etanol, o biodiesel, as hidrelétricas, a biomassa e, mais recentemente, as energias eólica e solar explicam o resultado.
O setor energético responde por menos de 20% das emissões brasileiras, e o setor elétrico, por menos de 2%. Thiago levou esses números à COP30, em Belém, e defendeu que o Brasil abandone a síndrome do vira-lata no tema: Alemanha, Estados Unidos, Índia e China conversam com o país de igual para igual.
“Do ponto de vista energético, nós somos referência.”
Como está a energia no Espírito Santo
Nos últimos 20 anos, a capacidade instalada de geração no Espírito Santo saiu de cerca de 1 GW para 3 GW, com participação crescente da energia solar, puxada pela geração distribuída. No consumo, Thiago fez uma provocação: entre 2011 e 2025, o consumo industrial de eletricidade no Estado ficou praticamente estável, enquanto o residencial quase dobrou. Para ele, o dado deve orientar políticas para retomar o crescimento da indústria.
Na produção de petróleo e gás, a EPE projeta um pico no Espírito Santo em 2026 e 2027, seguido de queda, o que abre espaço para discutir novos investimentos em exploração e produção.
Data centers e carros elétricos: o novo consumo de energia
Os data centers já são discutidos na escala de gigawatts, e não mais de centenas de megawatts, e devem aumentar o peso do setor de serviços no consumo de energia. Os carros elétricos seguem uma curva de crescimento quase exponencial, com eletropostos de 120 kW cada já instalados nas cidades. Segundo Thiago, essas novas cargas pressionam as redes de distribuição e exigem sinais de preço que estimulem o consumo fora do horário de pico, como carregar o carro ou lavar roupa de madrugada.
O Espírito Santo tem gargalo de transmissão de energia?
O Brasil fez a opção por um sistema interligado de dimensão continental: em comparação com a Europa, seria uma única rede da Islândia à Grécia e a Moscou. A rede de transmissão cresceu quase 50% em 10 anos, e os leilões dos últimos três anos somaram cerca de R$ 100 bilhões em investimentos.
Questionado sobre o Espírito Santo, diante de projetos em Aracruz e Presidente Kennedy, Thiago respondeu que, com os reforços em 345 kV e 500 kV no sul do Estado e no norte do Rio de Janeiro, há margem para conectar novas cargas e nova geração no curto prazo. Ele lembrou que o gargalo de transmissão é um desafio mundial, inclusive nos Estados Unidos e na Europa, por causa dos data centers.
Baterias, GNL, eólica offshore e o futuro até 2050
Para Thiago, a oportunidade em armazenamento é enorme. Ele citou o leilão de baterias previsto para dezembro, a viabilidade crescente das baterias atrás do medidor, com a queda de custo dos equipamentos, e o interesse da EPE em mapear projetos de usinas hidrelétricas reversíveis. No gás, destacou a interiorização do gás natural liquefeito (GNL), que leva o combustível em caminhões a regiões sem gasoduto.
No longo prazo, em cenários de neutralidade de carbono até 2050, o consumo de eletricidade no Brasil pode chegar a quatro vezes o atual. Nesse horizonte entram a eólica offshore, com potencial no Espírito Santo inclusive pelos portos, os pequenos reatores nucleares modulares e o hidrogênio.
Ferramentas abertas da EPE
Thiago recomendou duas ferramentas gratuitas da EPE: um painel sobre a origem e o destino dos investimentos em energia no Brasil e um mapa interativo com linhas de transmissão, gasodutos, terminais de GNL e projetos existentes e planejados. Os dois ajudam empresas a identificar onde estão os próximos projetos.
Perguntas frequentes
Quanto da energia do Brasil é renovável?
Segundo a EPE, cerca de 50% da matriz energética e cerca de 90% da matriz elétrica brasileira vêm de fontes renováveis.
O Espírito Santo tem gargalo de transmissão de energia?
Segundo a EPE, não no curto prazo: os reforços em 345 kV e 500 kV no sul do Estado deixaram margem para novas cargas e nova geração.
Quanto pode crescer o consumo de eletricidade no Brasil?
Em cenários de neutralidade de carbono até 2050, o consumo de eletricidade pode chegar a quatro vezes o atual, segundo o Plano Nacional de Energia.
Assista à palestra completa no canal do CDMEC no YouTube e leia no blog o artigo da abertura do Fórum SINERGES 2026. Quer estar nos próximos eventos? Associe-se ao CDMEC ou patrocine os próximos fóruns e encontros.
Cobertura do CDMEC, presidido por Carlos Henrique Veloso de Carvalho.










