FINDES: o Atlas que mapeia a infraestrutura do ES - Marília Silva
A economista-chefe da FINDES apresentou o Atlas da Infraestrutura, plataforma gratuita que reúne rodovias, ferrovias, portos e aeroportos do Brasil, com um olhar detalhado sobre o Espírito Santo.
FINDES no 3º Encontro Empresarial do CDMEC.Palestrante: Marília Silva, gerente executiva do Observatório FINDES e economista-chefe da FINDES.
Como encontrar, em um único lugar, todas as rodovias, ferrovias, portos e aeroportos do Brasil, com os dados organizados de forma simples? Esse foi o desafio que o presidente da FINDES, Paulo Baraona, levou ao Observatório FINDES. A resposta é o Atlas da Infraestrutura, apresentado por Marília Silva no 3º Encontro Empresarial do CDMEC, no Vitória Grand Hall.
Lançado em 25 de maio, Dia da Indústria, depois de cerca de um ano de desenvolvimento, o Atlas está disponível gratuitamente no portal do Observatório. Para acessar, basta um cadastro com nome e e-mail.
Por que infraestrutura virou prioridade
Marília contextualizou o projeto com as mudanças estruturais da economia brasileira. A reforma tributária traz desafios ao Espírito Santo e obriga o Estado a repensar seu diferencial competitivo. Para a FINDES, a resposta passa por investir em infraestrutura e posicionar o Espírito Santo como hub logístico, aproveitando a localização próxima dos grandes centros consumidores.
Ela ressaltou que a infraestrutura logística não se resolve de forma isolada. Não adianta o Estado avançar se as conexões que trazem a carga do Centro-Oeste e a levam adiante não acompanharem. Por isso, a FINDES atua em conselhos temáticos como o Coinfra e criou o Fórum Infraleste, que reúne federações de indústria de estados da região para discutir o tema de forma integrada.
O que o Atlas faz
A plataforma reúne mais de 30 bases de dados, processadas por mais de 60 códigos em um sistema de mapas georreferenciados (GIS). A maior parte das informações é pública, vinda de órgãos como Anac e ANTT, mas estava dispersa e difícil de cruzar. O ganho do Atlas é juntar tudo de forma conectada e dinâmica. Entre as funções:
• análise de área de influência: o usuário insere um CEP ou desenha um polígono e vê toda a infraestrutura em um raio definido;
• detalhes de cada ativo, como bitola e situação das ferrovias ou pavimentação das rodovias;
• movimentação de cargas rodoviárias, ferroviárias, portuárias e aeroportuárias;
• dados de empresas e empregos associados à infraestrutura;
• medição de distância entre dois pontos de interesse.
Na demonstração, Marília desenhou a área da ZPE de Aracruz com um raio de 10 quilômetros. O Atlas listou a Estrada de Ferro Vitória a Minas e os portos do entorno, como o Porto de Barra do Riacho, o Portocel e o terminal da Imetame.
No caso do Espírito Santo, o Atlas vai além das fontes oficiais. O Observatório incluiu todos os terminais portuários, inclusive os que estão em construção, com a fase de cada projeto. São informações que, segundo Marília, não existem em nenhuma outra fonte.
Os gargalos do Espírito Santo
Carlos Henrique Veloso de Carvalho, presidente do CDMEC, citou gargalos que a entidade já acompanha, como a falta de um porto de descomissionamento no Estado e a dependência do Porto Central em relação à ferrovia EF-118. Marília apontou como maior potencial de virada os dois clusters logísticos em desenho, o ParkLog Norte e o ParkLog Sul.
Gustavo Barbosa, da FINDES, completou com a BR-262: segundo ele, há cerca de R$ 2 bilhões de recursos capixabas depositados para a obra, que ainda está em fase de projeto, com previsão de conclusão em 2033.
“Infraestrutura será o nosso diferencial competitivo.”
Para Gustavo, o Estado vive um momento comparável à chegada da Vale, da antiga CST e da Petrobras, agora com novos investimentos como a GWM, em Aracruz. Se as conexões não acompanharem, a duplicação da BR-101 sozinha faz pouco.
Próximos passos
Questionado por Tássio, da Sermonte, sobre a possibilidade de abrir os dados por API para uso com inteligência artificial, Marília explicou que isso ainda não está no planejamento, em parte porque muitos dados pertencem a outras instituições. A próxima etapa do Atlas é incluir camadas de infraestrutura física, como saneamento, distribuição de energia e gasodutos.
Carlos Jardim Sena, diretor do CDMEC, perguntou como a FINDES pretende atuar sobre os gargalos identificados. Marília explicou que o Observatório fornece a inteligência, e a negociação acontece por meio do Coinfra e do Fórum Infraleste. Segundo ela, levar a infraestrutura ao centro do debate é a principal pauta da gestão de Paulo Baraona, que vai até 2028.
Assista à apresentação completa no canal do CDMEC no YouTube e acesse o Atlas da Infraestrutura no portal do Observatório FINDES. Quer acompanhar os próximos Encontros Empresariais? Associe-se ao CDMEC.
Encontro conduzido por Carlos Henrique Veloso de Carvalho e Carlos Jardim Sena, presidente e diretor do CDMEC.








