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EDP investe R$ 5 bi no ES e aposta em IA na rede

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    CDMEC
  • há 14 horas
  • 5 min de leitura

Bruno Gonçalves de Souza mostrou na Ilha da Inovação os projetos de P&D que já reduziram acidentes, evitaram investimento desnecessário e miram o furto de energia no Espírito Santo.

Em 2023, a EDP registrou quatro mortes de colaboradores em suas operações no Espírito Santo. Nos últimos 12 meses, zero. A queda tem nome: S-Worker, um dos projetos de pesquisa e desenvolvimento que Bruno Gonçalves de Souza, diretor da EDP no estado, apresentou na Ilha da Inovação, o espaço do CDMEC na MEC SHOW 2026, no Pavilhão de Carapina, em Serra.

A apresentação integrou o mesmo painel de Alexsandre Leite Ferreira, da Empresa Luz e Força Santa Maria, sobre investimentos em P&D e seus impactos na inovação capixaba.


Quanto a EDP investe no Espírito Santo

A EDP atende 90% dos municípios capixabas. Entre 2019 e 2025 investiu R$ 4,5 bilhões no estado e planeja mais R$ 5 bilhões até 2030. Só em investimento anual recorrente, para crescimento de mercado, recomposição de ativos, combate a furto e fraude e atendimento ao cliente, a empresa aporta cerca de R$ 800 milhões por ano — 3,4 vezes mais do que investia há uma década, quando o valor girava em torno de R$ 246 milhões anuais.

Em pesquisa e desenvolvimento especificamente, o valor é de R$ 6,4 milhões por ano, distribuído entre 12 projetos em execução. Como Bruno explicou, esse dinheiro é regulado pela ANEEL e segue a mesma lógica que Alexsandre Leite Ferreira já havia detalhado na apresentação anterior: é dinheiro do consumidor, e precisa gerar valor real.

“Investimento de P&D é investimento como qualquer outro para a EDP. Dinheiro é dinheiro e o dinheiro dos clientes precisa ser revertido em benefício.”

Cinco territórios e um mapa para decidir onde investir

A estratégia de pesquisa da EDP se organiza em cinco frentes: energia renovável e geração distribuída, flexibilidade e armazenamento, descarbonização e transição energética, segurança e eficiência operacional, e redes do futuro, ligada à digitalização. Sobre essas frentes, a empresa aplica seis temas transversais — inteligência artificial, regulação, sustentabilidade, clientes, novos modelos de negócio e automação — que ajudam a decidir que projeto entra no portfólio.

A maior parte dos projetos, cerca de 60% do portfólio, fica concentrada em soluções de baixa incerteza e alto TRL (nível de maturidade tecnológica), próximas do negócio atual da distribuidora. Uma fatia menor mira horizontes mais distantes, caso do sandbox tarifário que a empresa testa em parceria com a própria ANEEL.


S-Worker: a jornada de risco que zerou as mortes

O S-Worker digitaliza a análise de risco que cada colaborador da EDP precisa fazer antes de qualquer atividade em campo. O sistema usa reconhecimento facial para confirmar que o profissional tem os treinamentos necessários, aplica inteligência artificial embarcada no dispositivo para orientar decisões em tempo real, e gera hoje 100 mil análises de risco por mês só no Espírito Santo e em São Paulo, as duas concessões da EDP no Brasil.

O projeto já recebeu reconhecimento da própria ANEEL e está em teste com outras distribuidoras — Neoenergia, Energisa e a transmissora CTEEP. A distribuidora Santa Maria também deve se conectar ao sistema em breve.

Carlos Henrique Veloso, presidente do CDMEC, sugeriu que a EDP leve o projeto ao portal de vitrine de inovação da instituição — um canal para divulgar iniciativas como essa a grandes indústrias do estado, entre elas Vale e ArcelorMittal.


Proteus: R$ 27 milhões só de melhor alocação de capital

Outro projeto, batizado Proteus, usa inteligência artificial para decidir onde e quando aplicar o investimento da EDP, cruzando dados históricos com premissas futuras de crescimento de mercado e variáveis climáticas. Segundo Bruno, o sistema já gerou um ganho de cerca de R$ 27 milhões sobre o planejamento anual original, ao direcionar melhor o capital disponível. O projeto foi reconhecido em um fórum global de dados da EDP e premiado em eventos nacionais e internacionais, incluindo uma conferência internacional do setor elétrico.


Do mapa de calor ao conector que pode pegar furto de energia

A EDP também desenvolveu um sistema que aprende com as chamadas faltas intermitentes — aqueles desligamentos rápidos e automáticos que a rede faz quando, por exemplo, um galho de árvore toca a fiação. Cruzando esses sinais com machine learning, o sistema gera um mapa de calor que aponta para a equipe de manutenção onde um defeito temporário tem chance de virar permanente. A taxa de acerto declarada é de 80%.

Em parceria com a USP, a EDP mantém ainda um Laboratório de Smart Grids com um digital twin das redes de São Paulo e do Espírito Santo, usado, entre outras aplicações, em um chatbot que orienta eletricistas em campo sem precisar acionar o centro de operações.

O projeto mais recente embarca um sensor de microeletrônica dentro do conector perfurante — o dispositivo que liga a rede à casa do consumidor — para medir tensão e corrente em tempo real. Além de monitorar a qualidade da rede, a tecnologia mira diretamente o combate a furto de energia, cujo custo hoje é rateado entre todos os consumidores na tarifa.


O centro de operações mais moderno do Brasil, segundo a EDP

A EDP inaugurou neste ano, em Carapina, um novo centro de operações da distribuição que a empresa classifica como o mais moderno do Brasil no setor. O centro roda o ADMS, sistema de gestão avançada da distribuição que integra SCADA e despacho, recalcula o fluxo de potência da rede a cada seis minutos e consegue, sozinho, isolar um defeito e reconfigurar a rede para minimizar o impacto — sem esperar intervenção manual de um operador.

O resultado aparece nos indicadores de continuidade. Em 1995, um consumidor capixaba ficava em média 36 horas por ano sem energia; hoje, segundo a EDP, esse tempo caiu para cerca de 7 horas. A frequência de interrupções caiu de 27,2 para 3,14 vezes ao ano no mesmo período. A meta da empresa é reduzir o tempo sem energia para menos de 6 horas até 2030.


O que o público perguntou

Questionado sobre os critérios de seleção de projetos, Bruno confirmou que a EDP segue os cinco territórios estratégicos e não é obrigada a fazer chamada pública — lança desafios e já trabalhou com a UFES em pelo menos três ou quatro projetos, geralmente como uma das instituições cooperadas em parcerias maiores. Ele citou também parcerias com a Universidade Federal de Itajubá, referência em eletrônica de potência, e com o Inatel e o LabTel, ligados à UFES, para telecomunicações.

Sobre onde o dinheiro de P&D efetivamente é aplicado, Bruno explicou que a EDP opera duas concessões — Espírito Santo e São Paulo — e costuma ratear o custo de projetos que resolvem problemas comuns às duas. Cada real investido é auditado pela ANEEL em duas frentes, contábil e técnica, e mal investimento pode gerar glosa do regulador.

Carlos Jardim Sena, diretor do CDMEC, insistiu no ponto que mais interessa ao setor produtivo local: como aumentar a participação de instituições capixabas nas verbas de P&D das distribuidoras. Bruno reconheceu o desafio e disse que a EDP está de portas abertas para um roadshow sobre sua estratégia de pesquisa, por meio do CDMEC ou de outra instituição, mas defendeu que a academia local também precisa desenvolver um perfil mais orientado a negócio para competir com ecossistemas maduros como o de Itajubá.

“Para bons projetos, sempre tem dinheiro. A gente precisa receber.”

Este é o terceiro dos 14 vídeos da série da Ilha da Inovação. Assista à apresentação completa no canal do CDMEC no YouTube. Quer aproximar sua empresa da agenda de inovação da indústria capixaba? Associe-se ao CDMEC.



 
 

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