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Drones e robôs no lugar de pessoas: avaliação estrutural sem risco da TND

Podcast Energize-se | CDMEC | Edição Especial Mec Show | Convidados: André Aguiar, sócio-fundador da TND Inspeções Técnicas, e Carina Issler, responsável comercial da empresa | Todo o conteúdo deste artigo foi extraído da entrevista.

Em mais uma edição especial gravada na Mec Show, o Energize-se recebeu André Aguiar e Carina Issler, da TND Inspeções Técnicas, empresa associada ao CDMEC especializada em ensaios não destrutivos para a indústria. A conversa mostrou como uma empresa capixaba está trazendo robôs, drones e novas técnicas de inspeção para setores como mineração, energia e, agora, petróleo e gás.


Da aviação para a indústria

André Aguiar contou que sua trajetória começou na manutenção de aeronaves, área em que trabalhou por nove anos na Gol Linhas Aéreas. Foi ali que ele se formou engenheiro mecânico e teve o primeiro contato com ensaios não destrutivos, sempre sob normas rígidas do setor aéreo.

“Eu era muito curioso para saber como era a área industrial. Eu estava tão acostumado a trabalhar na aviação, onde não tem erro, que quando conheci a indústria senti que ela era muito carente de normas e procedimentos”, contou André Aguiar.

A TND foi fundada em 2013 e, em 2017, André deixou a Gol para se dedicar integralmente à empresa, ao lado do sócio Mauro. A equipe passou a atuar com integridade estrutural, adequação de vasos de pressão e caldeiras, e depois expandiu para pontes rolantes e novos métodos de ensaio. Hoje a empresa atua em todo o Brasil, com forte presença nos setores de energia e mineração, e neste ano decidiu expandir para o Espírito Santo.


Uma dupla técnica e comercial

Carina Issler entrou na TND há cerca de quatro anos, à frente da área comercial, trazendo uma experiência de 17 anos em multinacionais do varejo. Sem formação técnica, ela descreveu como o time se complementa para atender clientes de um setor altamente especializado.

“Quando me falta a parte técnica, o André, o Francisco e o Mauro me dão todo o suporte. É como se fosse uma dança: eu conduzo o relacionamento comercial e eles entram na hora que é preciso, tecnicamente”, explicou Carina Issler.

Boroscopia, robôs e a origem de uma técnica própria

Um dos exemplos apresentados foi a boroscopia, técnica de inspeção visual por meio de uma câmera acoplada a uma fibra óptica, usada para analisar o interior de tubulações e equipamentos sem necessidade de abertura. A técnica nasceu de uma demanda real: uma mineradora com mais de 30 anos de operação enfrentava vazamentos recorrentes em uma tubulação, sem que existisse no mercado um método de ensaio adequado para o caso.

A partir dali, a TND desenvolveu um robô capaz de percorrer tubulações horizontais carregando o boroscópio, complementando o trabalho manual em trechos verticais. A empresa também investiu em termografia, para identificar pontos de calor em coquerias, tubulações e fornos, e ampliou seu portfólio para réplica metalográfica e ensaios de dureza, com metodologia desenvolvida em parceria com o Senai.


Drones para espaços confinados

Entre os equipamentos apresentados na feira está um drone francês projetado para operar em espaços confinados, sem depender de sinal de satélite. O equipamento se orienta por sensores que calculam a distância até as paredes do ambiente, permitindo inspeções dentro de tanques de combustível com câmera 4K.

“Fizemos uma pesquisa de mercado, porque existem poucos fabricantes no mundo que produzem drones para espaço confinado. Hoje conseguimos entrar em tanques e fazer inspeção visual completa, preservando a segurança da equipe”, disse André Aguiar.

Um dos casos citados foi a inspeção de um tanque de GLP em Manaus, sem histórico anterior de vistoria por conta da periculosidade do produto. Com a parte inferior do tanque contaminada e alagada, o drone sobrevoou lateralmente toda a estrutura, permitindo o registro completo sem expor ninguém a risco.


Substituindo o acesso por corda

A TND também desenvolveu uma técnica própria de inspeção remota para reduzir o uso de acesso por corda, atividade tradicionalmente usada para verificar refratários e revestimentos internos de equipamentos industriais. O trabalho, batizado internamente pela equipe, rendeu à empresa contratante um prêmio pela qualidade das imagens produzidas.

Ainda assim, o acesso por corda continua sendo necessário em alguns casos, como na inspeção de chaminés revestidas internamente, onde ainda não existe drone capaz de medir a espessura do material. A TND mantém contato com fabricantes franceses para o desenvolvimento de uma solução voltada especificamente a esse tipo de estrutura.


Expansão para o Espírito Santo e o setor de petróleo e gás

A chegada da TND ao Espírito Santo tem um objetivo específico: atender à indústria de óleo e gás, setor em que a empresa ainda não atuava e que passa a ser prioridade a partir deste ano. André Aguiar também foi convidado para futuras edições do seminário de integridade estrutural promovido pelo CDMEC.

“O Brasil precisa muito desenvolver esses projetos, porque a gente tem tudo aqui para isso e ainda não desenvolve. Estou disposto a estar pesquisando junto, dentro da vitrine de inovação do CDMEC”, afirmou André Aguiar.

A entrevista reforça o papel do CDMEC em conectar empresas associadas de alta especialização técnica, como a TND, às oportunidades e desafios da indústria capixaba, ampliando o acesso a soluções que antes só estavam disponíveis em outros estados ou países.


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