ES 500 anos: Fernando Saliba conta o plano estratégico que está guiando o Espírito Santo até 2035
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Atualizado: há 9 horas
Condução: Carlos Henrique Veloso de Carvalho e Carlos Jardim Sena, Presidente e Diretor do CDMEC.
O conteúdo deste artigo foi extraído na gravação do episódio. O podcast Energize-se é realizado pela CDMEC e FCEL patrocinado pela MUTUA.
Fernando Peixoto Saliba abriu a conversa contando sua trajetória: entrou como estagiário na Escelsa, passou por distribuição, geração, eficiência energética e energia solar, e chegou a diretor geral da EDP no Espírito Santo após 34 anos. Hoje preside o Espírito Santo em Ação.
“Eu gosto de destacar isso para mostrar para a juventude que tem oportunidade. Se você se dedicar, o caminho até a diretoria geral é estreito, mas chega.”
De onde veio o Espírito Santo em Ação
Saliba contextualizou o surgimento da instituição: no início dos anos 2000, o Estado vivia sua maior crise ética. O crime organizado estava instalado na Assembleia Legislativa, no governo e no judiciário. Empresas foram embora, salários do funcionalismo atrasavam, a polícia não tinha recurso para sair com as viaturas.
Dezesseis empresários e executivos se reuniram para construir um contraponto. Junto com a Igreja Católica, a OAB e outras instituições, passaram a dialogar com candidatos que se afinavam com uma agenda de ética, transparência na relação público-privada e educação. Em 2006 entregaram o primeiro plano estratégico, a Visão 2025. Em 2014 vieram a Visão 2030. E no ano passado, o ESC 500 anos, com horizonte até 2035.
As cinco missões do ESC 500 anos
Saliba apresentou o plano estruturado em cinco missões. A primeira é a economia diversificada. Ele explicou que a pauta exportadora capixaba ainda é muito concentrada em celulose, minério de ferro, café e rochas ornamentais. Quanto mais diversificada for a economia, menos vulnerável o Estado fica a oscilações internacionais. Os parques logísticos, como o de Aracruz, a duplicação da BR-101 e a Ferrovia F-118 são os vetores centrais dessa diversificação.
“Pela posição geográfica, pelo número de portos, aeroportos, rodovias e ferrovias que estão sendo instaladas ou duplicadas, temos toda a vocação para ser a porta de entrada e saída de mercadoria do Brasil.”
A segunda missão é o polo de competência. Saliba mencionou que o Estado está com taxa de desocupação em torno de 2,5%, mas grande parte de quem ainda está fora do mercado não tem ensino fundamental completo. A missão é investir em formação técnica estruturada.
A terceira é o cuidado integral: segurança, saúde e infraestrutura. Saliba citou a duplicação da rodovia serrana e o aeroporto das montanhas, que abriria voos com até 70 passageiros para a região.
“Não dá pra gente falar de turismo se a gente tem uma rodovia que você gasta 2, 3 horas pra chegar no local.”
A quarta missão é a transição energética. Saliba falou sobre semáforos inteligentes, eletrificação da frota agrícola e armazenamento de energia. Sobre eólica offshore, reconheceu que o arcabouço regulatório ainda está em construção.
“Armazenamento vai ser o segundo fato. Primeiro veio a expansão muito rápida do solar. Armazenamento muda o perfil da relação consumidor-gerador.”
A quinta missão é o Estado ágil e inteligente: eficiência nos três poderes, com diálogo permanente com o Tribunal de Justiça e a Assembleia para agilizar processos como o licenciamento ambiental, sem abrir mão da responsabilidade ambiental.
Petróleo e reforma tributária: os dois riscos no horizonte
Carlos Henrique provocou Saliba sobre os dois grandes desafios que o próprio Encontro Empresarial do CDMEC havia evidenciado: a tendência de queda na produção de petróleo no Estado e a perda de receita prevista com a reforma tributária a partir de 2027. Saliba respondeu com clareza:
“Não é uma receita só. É um somatório de ações. Não é a exportação em si que vai gerar receita pro Estado, mas o serviço associado.”
Saliba citou os galpões logísticos, os retroportos e os parques de Cariacica e Viana como frentes em andamento, e o turismo como outra vertente com grande espaço de crescimento no Estado.
Como funciona o Espírito Santo em Ação
Saliba explicou que a instituição não recebe recurso público e tem diretoria totalmente voluntária. Quem entra na diretoria precisa se afastar de qualquer cargo público. Hoje são oito diretorias e 13 associações municipais e regionais pelo Estado, incluindo uma reciém-criada em Vitória.
Um convite ao CDMEC
Ao longo da conversa, Saliba destacou várias vezes o papel do CDMEC nas missões do ESC 500 anos, especialmente na qualificação de mão de obra e na expansão logística industrial. Ao final, formalizou o convite para que o CDMEC ocupe uma cadeira na governança do planejamento estratégico estadual.
“O CDMEC tem muito a ajudar. Vamos juntos.”, respondeu Carlos Henrique.
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Energize-se é um podcast patrocinado pela Mútua, iniciativa do CDMEC e da FCEL.










