Segundo Marcel, o Fundo Soberano foi criado por lei pelo governador Renato Casagrande com recursos dos royalties do petróleo e do gás. O objetivo, nas palavras dele, é fazer uma poupança geracional para impactar o ecossistema de tecnologia e inovação ao longo das décadas. "É raro ver isso no Brasil. Na minha visão, é um projeto inédito", disse ele. A referência foram os fundos soberanos da Noruega, de Singapura e da Arábia Saudita. O Funses 1 tem R$ 250 milhões disponíveis e opera por três trilhas. A primeira é a aceleração digital sem investimento, com chamadas abertas para startups nascentes. Já foram quase 300 empresas aceleradas. A segunda oferece aportes de R$ 300 mil a R$ 800 mil para startups que já faturam. A terceira é o investimento direto em empresas mais maduras, com cheques de R$ 2 milhões a R$ 20 milhões. Para acessar, Marcel orientou: "Entre no site da Quartzo ou do Bandes e acompanhe as chamadas abertas." Durante a conversa, mencionamos dois exemplos do portfólio: a Lauduz, startup capixaba de telemedicina, e a 2Neuron, criada por dois engenheiros da UFES, que desenvolveu um dispositivo com inteligência artificial para prever falhas em máquinas industriais. Trouxemos para a conversa um debate que havia acontecido na ESX, feira de inovação do Sebrae, sobre a falta de profissionais técnicos no estado. Marcel respondeu sem rodeios: "A gente tem que trabalhar com o que tem na mão. Falta mão de obra aqui, mas conheço vários empreendedores capixabas que estão em São Paulo. A gente está trazendo alguns de volta." E fez uma cobrança direta à indústria: "A gente tem ido às universidades fazer palestras. Por que a indústria não vai?" No encerramento, Marcel traçou um paralelo com a SpaceX, cujo IPO acontecia naquele dia. Para ele, o Espírito Santo está fazendo o mesmo que o governo americano fez ao financiar inovação de longo prazo. "O governo acertou e vem acertando na mosca", afirmou. E deixou um recado ao empreendedor capixaba: "Traga sua ideia. Insista. Não desista. Vale a pena." A conversa com Marcel mostrou que o Funses 1 não é só um fundo. É um projeto de Estado pensado para durar gerações. E segundo Marcel, ele vai muito bem obrigado.