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FAPES: os editais que financiam inovação no Espírito Santo - Rodrigo Varejão - MecShow 2026

Diretor-geral Rodrigo Varejão apresentou na Ilha da Inovação os editais abertos da FAPES e provocou o CDMEC a atrair um centro de pesquisa aplicada para o Estado.


FAPES na Ilha da Inovação do CDMEC / MecShow 2026. Palestrante: Rodrigo Varejão Andreão, diretor-geral da FAPES.


A Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (FAPES) participou pela primeira vez de uma iniciativa do CDMEC, na Ilha da Inovação montada durante a MecShow 2026. Autarquia ligada à SECTI, a FAPES é hoje a quarta maior fundação de amparo do país em execução de recursos, em valores absolutos, atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Metade desse volume vem de parcerias federais e internacionais captadas pela própria fundação.

O diretor-geral Rodrigo Varejão Andreão foi direto ao ponto que interessa à indústria: diferentemente do crédito bancário, a FAPES trabalha com subvenção econômica, ou seja, recurso não reembolsável. A contrapartida não é o pagamento, é a entrega do produto, do processo ou da solução.


Os editais abertos

•  Nova Economia Capixaba: a empresa submete em parceria com uma Instituição Científica e Tecnológica (ICT), em modelo de coinvestimento. São R$ 40 milhões em subvenção, com propostas de R$ 500 mil a R$ 3 milhões. É fluxo contínuo, mas o recurso é finito e a procura este ano tem sido alta.

•  Redes Temáticas de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação: até R$ 1,2 milhão por projeto, para redes multi-institucionais com participação obrigatória de instituições de fora do Brasil. Contempla temas de interesse do setor industrial.

•  Doutor Empreendedor Capixaba: voltado a despertar o interesse por deep techs, aberto a doutores sem vínculo empregatício que atuem no Estado. Já está na segunda chamada.

•  Extensão Tecnológica e Universal Extensão: editais anuais em que uma instituição de ensino ou pesquisa submete em parceria com um ente externo. O CDMEC pode entrar como parceiro, levando a demanda da indústria.

•  Profix Conhecimento Brasil: repatriação de talentos, em parceria com o CNPq. A versão capixaba pontua propostas que conectem um pós-doutor a um problema real de empresa.

•  Parcerias entre Startups: internacionalização, conectando empresas capixabas a empresas de fora do país para desenvolver produtos em conjunto.


Por que é difícil acessar o dinheiro

No debate conduzido por Carlos Henrique Veloso de Carvalho e Carlos Jardim Sena, presidente e diretor do CDMEC, veio a pergunta central: se o recurso existe, por que é tão difícil chegar até ele? Rodrigo citou a assistente de inteligência artificial que a FAPES mantém no site para tirar dúvidas sobre editais, mas apontou que o problema de fundo é outro.

“Inovação demanda generosidade. É criar pontes, conectar a demanda com as oportunidades.”

Nem sempre o que falta ao empreendedor é financiamento. Às vezes falta o parceiro certo ou uma leitura adequada da legislação. Ele afirmou já ver essa cultura mudar, citando empresas que nunca haviam se aproximado da fundação e hoje a procuram, como a Biancogres, sediada na Serra.


Projeto acaba, programa continua

Carlos Henrique trouxe um caso do próprio CDMEC: com R$ 600 mil do FUNCITEC, a entidade percorreu o interior capixaba mapeando gargalos da indústria e identificou 21 projetos, cada um com estudo de viabilidade técnica, desenhos de engenharia e cotação de preço. Terminado o recurso, ficou a pergunta: e agora?

“O projeto tem data para terminar. Por isso falta continuidade. Um programa não: ele tem ciclos e evolui.”

A resposta da FAPES foi deixar de pensar em projetos e passar a pensar em programas, ancorados no Plano Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, com horizonte de dez anos. O maior exemplo dessa virada é o IN-FOTON, primeiro Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) sediado no Espírito Santo, coordenado pelo professor Marcelo Segatto na Ufes: R$ 13,8 milhões, dos quais R$ 5,8 milhões da FAPES, com horizonte de dez anos.


Dois recados para a indústria capixaba

Rodrigo encerrou com duas provocações. A primeira é sobre a cadeia de fornecedores das grandes empresas do Estado, que na avaliação dele opera com baixo valor agregado e pode ser substituída rapidamente quando as âncoras adotarem novas tecnologias.

“Tem que parar de ficar pedindo soldador e começar a comprar robô soldador.”

A segunda foi um convite ao CDMEC: ajudar a atrair um centro de Pesquisa e Desenvolvimento de uma empresa para o Espírito Santo, com a entidade atuando como um dos operadores. Segundo ele, a meta já consta do plano estadual e agregaria muito mais do que apenas manter o que já existe por aqui.


Assista à apresentação completa no canal do CDMEC no YouTube. Quer conectar sua empresa aos editais de fomento à inovação? Associe-se ao CDMEC.


Apresentação e debate conduzidos por Carlos Henrique Veloso de Carvalho e Carlos Jardim Sena, presidente e diretor do CDMEC.



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