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Fortlev: inovação capixaba em energia solar pelo Brasil

  • Foto do escritor: CDMEC
    CDMEC
  • há 3 dias
  • 4 min de leitura

Felipe Ferraz mostrou na Ilha da Inovação como a capixaba Fortlev, fabricante de caixas d'água, virou referência nacional em energia solar com produtos como o lastro solar.


FORTLEV SOLAR na Ilha da Inovação do CDMEC / MecShow 2026.Palestrante: Felipe Ferraz, gerente de Grandes Negócios.


A Fortlev nasceu em Serra, no Espírito Santo, em 1989, fabricando caixas d'água. Hoje soma dez fábricas espalhadas pelo Brasil e, desde 2019, um braço dedicado a energia solar que já comercializou mais de 4 gigawatts em equipamentos fotovoltaicos e mantém mais de 100 megawatts em usinas próprias no Espírito Santo, em Minas Gerais e na Bahia.

Felipe Ferraz, gerente de grandes negócios da Fortlev Solar, apresentou esse panorama na Ilha da Inovação, o espaço do CDMEC na MEC SHOW 2026, no Pavilhão de Carapina, em Serra. A apresentação integrou o painel sobre inovações tecnológicas para a transição energética, ao lado de Rogel Menegaz, da WEG.

“A gente costuma brincar que foi comprar o pão e levou a padaria. A Fortlev não é só uma distribuidora de equipamentos fotovoltaicos, ela se posiciona também como fabricante de tecnologia.”

Usinas espalhadas pelo Brasil como laboratório de inovação

A Fortlev opera quatro centros de distribuição no país, Serra (ES), Camaçari (BA), Ribeirão das Neves (MG) e Cabo de Santo Agostinho (PE), e usa suas próprias usinas como vitrine e campo de testes. A unidade da Serra, de 4,2 megawatt-pico, reúne módulos de diferentes tecnologias, estrutura fixa metálica, lastro solar e usina flutuante lado a lado, e serve como laboratório antes de qualquer produto ir para o mercado.

A escala aparece em projetos por todo o país: uma usina de 6,7 megawatt-pico em Crateús, no Ceará, montada em 45 dias; outra de 7 megawatt-pico em São João da Barra, no Rio de Janeiro; e uma planta de autoprodução de 6,5 megawatt-pico para a Perfilados e Doce, siderúrgica capixaba, com 12 mil módulos instalados em um telhado de 70 mil metros quadrados.


O lastro solar, carro-chefe da inovação Fortlev

Entre os produtos que a empresa desenvolve, o mais conhecido é o lastro solar, uma caixa modular de polietileno, o mesmo material das caixas d'água da Fortlev, que substitui a fundação metálica convencional em usinas de solo, sem estaca cravada e sem concreto. A caixa pesa 15 quilos vazia, pode chegar a 400 quilos cheia de terra, areia ou brita, e admite até 10 graus de inclinação entre módulos, o que permite acompanhar a topografia natural do terreno.

O produto nasceu dentro da própria Fortlev, foi patenteado e testado em túnel de vento para suportar rajadas de até 50 metros por segundo, com garantia de 12 anos contra defeito de fabricação e 35 anos contra oxidação. Na prática, dispensa perfuratriz e mão de obra especializada e reduz o tempo de montagem: em um caso citado por Felipe, uma usina de 6,7 megawatt-pico levou 45 dias com o lastro, um terço do tempo que levaria com estrutura fixa.

A tecnologia já viabilizou projetos que seriam inviáveis de outra forma, como uma usina da Copa Energia erguida sobre lençol freático a 50 centímetros da superfície, na Bahia, e outra em terreno rochoso no Ceará, onde uma sondagem havia descartado a fundação convencional. A partir da mesma linha de pesquisa, a Fortlev também passou a fabricar caixas de passagem em fibra de vidro e, mais recentemente, flutuadores para usinas sobre reservatórios e cavas de mineração, hoje na terceira geração de fabricação, produzidos 100% no Brasil.


Da distribuição de equipamentos à autoprodução de energia

Além de vender e fabricar equipamento, a Fortlev atua diretamente ajudando indústrias a montar projetos de autoprodução no mercado livre de energia, com engenharia própria, soluções de financiamento e assistência técnica. Entre os clientes capixabas citados por Felipe estão Unimed, Suzano, Azul Granitos e RDG, além da própria Fortlev, que já eletrificou os telhados de suas dez fábricas no país.

O apelo é econômico: com o preço da energia no mercado livre em torno de R$ 300 por megawatt-hora, projetos como o da Perfilados e Doce se pagam em menos de quatro anos.


O que o público perguntou

Questionado se o lastro solar copiava algum produto existente, Felipe negou: a Fortlev se inspirou em tendências vistas em feiras internacionais, mas desenvolveu e patenteou a solução com a experiência própria em polietileno, e só liberou a venda depois de bateria completa de testes em túnel de vento, exigência do fundador da empresa.

Sobre acoplar baterias a usinas de geração distribuída já instaladas, Felipe explicou que a ANEEL hoje entende que isso amplia a potência da usina e faz o empreendedor perder o benefício regulatório original, um ponto que o setor ainda discute, sem regulamentação específica para remunerar os serviços que o armazenamento presta à rede. Felipe citou um estudo segundo o qual metade das 160 mil unidades consumidoras do mercado cativo já teria viabilidade econômica para armazenamento com TIR acima de 20%, apenas com arbitragem de energia entre horários de carga e descarga.

Os palestrantes discutiram os efeitos da Lei 14.300 sobre a geração distribuída e o crescimento do armazenamento de energia com baterias (BESS) no mercado livre.

Essa apresentação e debate foram moderados por Carlos Henrique Veloso de Carvalho e Carlos Jardim Sena, presidente e diretor do CDMEC.


Assista à apresentação completa no canal do CDMEC no YouTube. Quer aproximar sua empresa da agenda de inovação da indústria capixaba? Associe-se ao CDMEC.



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