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Lume Robotics: veículo autônomo capixaba é único no Hemisfério Sul - Rânik Guidolini - MecShow 2026

  • Foto do escritor: CDMEC
    CDMEC
  • há 2 dias
  • 4 min de leitura

CEO Rânik Guidolini mostrou na Ilha da Inovação como uma tecnologia nascida em laboratório da Ufes colocou o Espírito Santo no mapa mundial dos veículos autônomos, ao lado de apenas seis países.


LUME ROBOTICS na Ilha da Inovação do CDMEC / MecShow 2026.Palestrante: Rânik Guidolini, cofundador e CEO da Lume Robotics.


Apenas um punhado de países no mundo domina a tecnologia de veículos autônomos: Estados Unidos, China, Canadá, Inglaterra, Alemanha, Israel e o Brasil. E no caso brasileiro, o desenvolvimento acontece em um único lugar, que é também o único de todo o Hemisfério Sul: o Espírito Santo. Quem contou essa história na Ilha da Inovação do CDMEC, durante a MecShow 2026, foi Rânik Guidolini, cofundador e CEO da Lume Robotics.


Do laboratório da Ufes para o pátio da indústria

A Lume nasceu dentro do Laboratório de Computação de Alto Desempenho (LCAD) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), a partir do projeto IARA, sigla para Intelligent Autonomous Robotic Automobile. A frente de pesquisa começou em 2009, quando o laboratório escolheu dirigir como desafio máximo de inteligência artificial, justamente por ser uma das atividades mais complexas que um ser humano executa.

Rânik entrou na engenharia de computação em 2010, filho de caminhoneiro e fascinado por carros, e se envolveu no projeto ainda no segundo período, seguindo depois para mestrado e doutorado. A primeira volta autônoma do veículo saiu em 2013. A empresa, porém, só foi fundada em 2019, em Vitória, por seis engenheiros formados naquele laboratório.

“Existe um abismo muito grande entre você ter a tecnologia e isso se tornar um produto.”

Esse abismo, explicou ele, se chama redundância, validação e detecção de falhas. Quando o veículo carrega até 120 toneladas, a tecnologia precisa garantir segurança em qualquer situação. E como a Lume decidiu desde o início operar em ambientes mistos, com pessoas, bicicletas, empilhadeiras e veículos comuns circulando ao mesmo tempo, o sistema teve de aprender a lidar com o imprevisível, inclusive com quem não segue as regras.


Onde a tecnologia já roda

A Lume não fabrica veículos: ela instala um kit que converte um veículo comum em autônomo, com atuadores que assumem volante, acelerador, freio, câmbio e setas, mais um conjunto de sensores que lê o ambiente. Entre as operações apresentadas:

•  Portocel, em Aracruz: dois caminhões no transporte de fardos de celulose dos armazéns até o embarque, em parceria com a VIX Logística. É o primeiro porto do Brasil a integrar veículos autônomos à operação.

•  ArcelorMittal Tubarão: demonstração com caminhão transportando bobinas de aço, em cargas de 120 toneladas por viagem.

•  Petrobras: um veículo de pequeno porte, no estilo carro de golfe, que circula dentro do centro de pesquisa levando amostras de rocha entre laboratórios.

•  Mineração: operação em vias sem pavimentação, com demonstrações de funcionamento sob chuva intensa, pista parcialmente alagada e neblina densa, cenários em que a visibilidade humana ficaria comprometida.

Segundo Rânik, a Lume é a única empresa do mundo operando simultaneamente em mineração, portos e indústria, e a única operando comercialmente caminhões autônomos em ambiente industrial. A mesma tecnologia já foi aplicada em ônibus para transporte interno de colaboradores.


Segurança, mão de obra e custo

Ele enfrentou de frente as três dúvidas que sempre aparecem. Sobre segurança, argumentou que o veículo autônomo não se distrai, não usa celular, não cansa, tem visão de 360 graus sem pontos cegos, respeita estritamente as normas de trânsito e reage cerca de 20 vezes mais rápido que um motorista humano.

Sobre desemprego, apresentou o dado que inverte a lógica do medo: o Brasil já vive um déficit de motoristas, com a categoria envelhecendo e sem reposição de novos profissionais. Para ele, a automação não substitui o motorista, complementa a operação e assume justamente as tarefas de alto risco ou de baixo interesse.

Sobre custo, o principal componente é o LiDAR, sensor a laser que faz o escaneamento tridimensional do entorno com precisão de centímetros e alcance de até 500 metros. Cada veículo usa no mínimo três, e o preço unitário varia de R$ 3 mil a R$ 150 mil, conforme o modelo. Ainda assim, em operações que rodam 24 horas, ele estima retorno do investimento em cerca de um ano.


O que trava, e o que anima

No debate conduzido por Carlos Henrique Veloso de Carvalho e Carlos Jardim Sena, presidente e diretor do CDMEC, ficou claro que o principal obstáculo não é técnico. No Brasil, veículos autônomos só podem operar em áreas privadas, e o projeto de lei que tramita no Congresso desde 2023 avança devagar. Rânik apontou uma contradição no texto: entre os requisitos para homologar um veículo autônomo estaria a presença de um condutor habilitado dentro dele.

Questionado se ser o único do Hemisfério Sul é oportunidade ou desafio, respondeu que é as duas coisas. Desenvolver localmente reduz custo diante do dólar e garante um mercado sem concorrente estabelecido por perto. Mas há uma barreira cultural.

“A gente sabe que o Brasil tem um pouco de preconceito. Você fala tecnologia brasileira e muitas empresas torcem o nariz.”

Ele reconheceu ainda que produzir localmente sensores como o LiDAR esbarra na ausência de uma indústria de chips no Estado, algo que exigiria investimento de outra ordem. Foi nesse ponto que Carlos Henrique cunhou o verbo que ficou do painel, capixabizar, ao defender que o Espírito Santo passe a fabricar também os componentes da tecnologia que já domina.


Assista à apresentação completa no canal do CDMEC no YouTube. Quer aproximar sua empresa das tecnologias que estão transformando a indústria capixaba? Associe-se ao CDMEC.


Apresentação e debate conduzidos por Carlos Henrique Veloso de Carvalho e Carlos Jardim Sena, presidente e diretor do CDMEC.



 
 

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